No 31 de outubro, dia em que se comemora o aniversário de Drummond, o Dia D, vale lembrar que há meio século, o poeta, mais que modesto e discreto, não se sentiu à vontade para receber um toca-discos, ou uma eletrola, como se dizia na época, que um grupo de amigos quis lhe dar – é o que revela este bilhete de Cyro dos Anjos.

Rio de Janeiro, outubro de 1956

…doce música pode enervar-nos. Com esta exposição de motivos e um grande abraço, aí fica a lembrança amiga. Cyro & Drummond: correspondência de Cyro dos Anjos e Carlos Drummond de

Admirador do euclidiano e amigo, Drummond lhe escreve este bilhete em agradecimento a três livros que recebera, possivelmente os três lançados no ano anterior: Antologia da obra de Euclides da Cunha, Canudos e inéditos e Obra completa de Euclides da Cunha, para as quais Olímpio de Souza Andrade fez estudos, introdução geral e cronologia, comentários e vocabulário ou apresentações finais.

Rio de Janeiro, 31 de março de 1967

Prezado Olímpio de Souza Andrade, Senti-me muito honrado por ter recebido de você essa prova de estima e de fraternidade intelectual, que é o oferecimento de seus três volumes consagrados…

Poeta sexagenário em 1962, Carlos Drummond de Andrade publicou nesse ano o livro Lição de coisas, no qual pratica “a violação e a desintegração da palavra”, segundo escreveu o próprio poeta. Na obra, incluiu o soneto “Carta”, endereçado à mãe, Julieta Augusta Drummond de Andrade, com quem nunca deixou de se corresponder desde que veio morar no Rio de Janeiro em 1934. Também a ela dedicou o poema “Para sempre”, publicado nesse mesmo livro.

S.l., s.d.

…noite acumulada de meus dias, e sinto que estou vivo, e que não sonho. Carlos Drummond de Andrade. Lição de coisas. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1965, p. 77….