Hélio Pellegrino, amigo de toda a vida de Otto Lara Resende, lhe envia, de Minas, esta carta escrita em dois momentos diferentes, que vão do desespero à esperança. A profunda angústia do primeiro resultaria em “Prosa de 24 de agosto de 1947”, transposição desta carta para versos, que podem ser vistos aqui na galeria de imagens.

Belo Horizonte, 24 de agosto de 1947

Meu querido Otto,

Estou a escrever-lhe num dos momentos mais definitivos da minha vida, num desses momentos em que o cálice das tristezas parece que vai transbordar. Hoje, Otto, neste agora, neste momento, a minha angústia é tamanha, o meu sofrimento é tão alto, que tudo o mais […]

Aos 62 anos, o já consagrado Drummond relembra episódios da infância vividos com o pai Carlos de Paula Andrade, presente em alguns de seus poemas e crônicas drummondianas. Nesta carta/crônica, publicada no jornal carioca Correio da Manhã, onde o poeta e cronista colaborou três vezes por semana durante 15 anos, ele recorda afetuosamente uma preciosa lição do pai que não pôde ser cumprida: “o essencial em duas palavras”.

 [Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 1964]

Às vezes o senhor me chamava para seu secretário, e isso me enchia de orgulho. Eu pequeno, o senhor tão grande — maior que um homem comum aos olhos de qualquer menino. Tudo no lugar era pequeno e doméstico, e o senhor, sim, era grande — começa […]

A cronista brasileira Elsie Lessa envia ao filho, o jornalista Ivan Lessa, esta carta em que faz uma espécie de levantamento genealógico afetuoso da família, especialmente de sua avó, bisavó de Ivan. Escrita em Londres, para onde Elsie Lessa se mudara com seu companheiro, Ivan Pedro Martins, havia três anos, ela quis estar perto do único filho e acompanhar o crescimento da neta, Juliana, nascida em 1976.

Londres, 30 de setembro de 1980

Meu filho,

Afinal chegou o dia desta carta, que me pesa nas entranhas acho que desde o dia – foi 27 de novembro – em que senti você mexendo dentro delas. Sossegue, não é briga. Só amor, nós que somos gente de briga, violentos, temperamentais. Somos. Aceite. Difícil eu […]

Vinicius de Moraes escreveu esta carta para seu único filho homem, Pedro, a quem deixa como legado “a insensatez de um coração constantemente apaixonado” – afirma o poeta nesta espécie de testamento poético-afetivo. O legado, na verdade, se revelaria mais concreto: por ter vivido em estimulante ambiente intelectual e artístico, Pedro desenvolveria seu talento para as artes visuais. Tornou-se fotógrafo e coautor, com o pai, do livro O mergulhador, de 1968, obra que reúne fotos suas e poemas de Vinicius. Outro filho que teve a sorte de receber notável carta do pai foi o pianista Nelson Freire, aqui lida em Afetuosamente, o papai. Contrasta com a dura incumbência que deu Rubem Braga ao filho, Roberto Braga, sobre providências a serem tomadas com a sua morte, aqui disponível em Não ceda aos símbolos da morte.  

Pedro, meu filho…

Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável: um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a terrível herança que te deixou teu pai — a insensatez de um co­ração constantemente apaixonado.

E porque te fiz […]

Euclides da Cunha e Vicente de Carvalho tinham mais em comum do que o fardão da Academia Brasileira de Letras. É do autor de Os Sertões, também amigo pessoal do poeta parnasiano, o prefácio de Poemas e canções, livro que abriria as portas da Academia Brasileira de Letras para Vicente, em 1909.  Nesta carta, o parnasiano revela o personagem heroico do poema “Fugindo ao cativeiro”, no qual Manuel Bandeira identificou “força épica”, e é incluído no livro.

São Paulo, 31 de agosto de 1908

Euclides,

Enfim posso escrever-te, e mandar-te, dos Poemas e canções, os versos que não fazem parte da Rosa, rosa de amor… Quer dizer: o livro compor-se-á dessas 160 páginas de versos, que vão, e da Rosa, rosa de amor

Como te mandei dizer, o prefácio irá com numeração romana, e em tipo diferente. Uma parte […]