Paulo Mendes Campos e muitos escritores de sua geração foram fiéis apreciadores de uísque, presente nos bares cariocas ou nas casas de poetas como Vinicius de Moraes, onde o bom scotch nunca faltava. Esta “Carta de separação” , crônica até hoje inédita em livro, foi publicada na coluna “Primeiro plano”, do Diário Carioca, onde Paulo foi colaborador desde 1946, quando iniciou a coluna semanal “Semana Literária”, até que em 1950 assumisse a coluna diária “Primeiro Plano”, que iria até 1961.

…que, de minha parte, deixa muitas saudades. P. M. C. Crônica de Paulo Mendes Campos publicada no Diário Carioca, Rio de Janeiro, 29/10/1953. Arquivo Paulo Mendes Campos / Acervo IMS….

Vinte dias depois de Mario Quintana ter completado sessenta anos, Paulo Mendes Campos o homenageou com esta carta, publicada na revista Manchete de 20 de agosto de 1966.

Meu caro poeta: no dia 30 de julho passado fizeste sessenta anos. Não dou os parabéns a ti, mas a mim e a todos os convivas de tua poesia. Imagina que em uma galáxia remota estejam reproduzidas todas as formas terrestres – a antimaté­ria de que falam esses descabelados ro­mânticos da realidade, os físicos moder­nos. […]

Entre 1957 e 1959, Otto Lara Resende serviu como adido cultural na embaixada do Brasil em Bruxelas. Durante a temporada belga (além da lisboeta, nos anos 1960, pelo mesmo motivo), reclamava da falta de resposta dos amigos Hélio Pellegrino, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. Nesta carta/crônica publicada na revista Manchete, o último se dirige ao amigo.

…jogando futebol. Ponta de lança. Crônica de Paulo Mendes Campos publicada em Manchete, Rio de Janeiro, 15/08/1959. Arquivo Paulo Mendes Campos / Acervo IMS. [1] N.S.: Sem cerimônia, inesperadamente, bruscamente….

Assim como muitos de sua geração, Paulo Mendes Campos deixou seu estado natal, Minas Gerais, para se fixar no Rio de Janeiro. Em meados de 1945, sob o impacto da nova cidade, ele escreveu esta carta ao amigo que ficara em Belo Horizonte. Os dois, somados a Hélio Pellegrino e Fernando Sabino, comporiam o grupo que Otto batizou de “Os quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse”.

[Rio de Janeiro, agosto de 1945]

De onde venho, meu velho, para onde vou? Mas nenhum traço de comoção dramatiza minha voz. Estou calmo, lúcido, fumando. Nem careço rigorosamente de escrever uma carta: ninguém me chama, ninguém me espera, ninguém me denuncia. Iluminando melhor, não é o sentimento para que me sevicia, mas os sentimentos intransitivos, os inumeráveis sentimentos que recolho, […]