Depois de se formar em direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1946, Fernando Sabino viajou para Nova York, onde ficou dois anos como funcionário do escritório comercial do Brasil e do consulado brasileiro. De Nova York, escreve esta carta à sua amiga Clarice Lispector, que morava em Berna, Suíça, acompanhando o marido em sua carreira diplomática.

Nova York, 10 de junho de 1946

canto, esperando, esperando. Clarice Lispector só toma café com leite. Clarice Lispector saiu correndo no vento na chuva, molhou o vestido, perdeu o chapéu. Clarice Lispector sabe rir e chorar…

No início do ano de 1941, Clarice Lispector passava férias em Maricá (RJ), para onde seu futuro marido, o diplomata Maury Gurgel Valente, lhe escreve em resposta a uma carta que recebera dela e que lhe causara forte impressão. 

Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1941

Olá, marquesa de Maricá,

Antes de tudo preciso agradecer os conselhos que me foram tão dramaticamente dispensados. Você usou grandes palavras, fortes generalizações, falou da beleza tétrica da ruindade do mundo, comparada à musica moderna, que horripila mas atrai, nos meus ídolos científicos e literários, cada um, como um forçado, trazendo uma contribuição à Dúvida […]