A indignação de Clarice Lispector contra o conceito de estudantes “excedentes”, durante o governo do general Costa e Silva (1967-1969), levou-a a escrever esta carta, tão lúcida quanto desafiadora, ao ministro da Educação, Tarso Dutra. Efeito ou não desta carta, em abril de 1969, o ministro assinaria decreto autorizando o aproveitamento de 3.522 “excedentes”.

[Rio de Janeiro], 17 de fevereiro de 1968

Em primeiro lugar queríamos saber se as verbas destina­das para a educação são distribuídas pelo senhor. Se não, esta carta deveria se dirigir ao presidente da República. A este não me dirijo por uma espécie de pudor, enquanto sin­to-me com mais direito de falar com o ministro da Educação por já ter sido estudante.

O […]

O choque da notícia da morte do cronista e compositor Antônio Maria, em 15 de outubro de 1964, provocou em Vinicius de Moraes uma tal comoção que ele não pôde esperar mais do que algumas horas  para escrever esta carta de ternura e dor, incluída em Para uma menina com uma flor, de 1966.

Aí está, meu Maria… Acabou. Acabou o seu eterno sofrimento e acabou o meu sofrimento por sua causa. Na madrugada de 15 de outubro em que, em frente aos pinheirais destas montanhas queridas, eu me sento à máquina para lhe dar este até sempre, seu imenso coração, que a vida e a incontinência já haviam […]

Em 25 de setembro completam-se 50 anos da morte de Lotta de Macedo Soares, a idealizadora do Aterro do Flamengo. A obra a que Lotta se dedicou com paixão, magnificamente fotografado por Marcel Gautherot, teve projeto urbanístico e arquitetônico de Affonso Reidy e continua símbolo do Rio de Janeiro, tão ou mais icônico do que quando Rachel de Queiroz escreveu esta carta/ crônica.

[Rio de Janeiro], 16 de fevereiro de 1972

Querida Lotta, se no assento etéreo on­de você deve estar, memórias desta vida se consentem, se você vê as coi­sas cá debaixo, há de sentir uma grande alegria contemplando o seu Parque do Flamengo. Sim, o seu Par­que, Lota. Que você inventou, criou, ti­rou daquele aterro bruto, acompanhando-o pedrinha por pedrinha, planta por planta, flor por flor. Todas as suas canseiras, as lutas, a […]

Transplantados de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro desde a década de 1940, onde se destacaram no jornalismo carioca, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende mantiveram-se unidos por toda a vida. Entre 1957 e 1959, quando o segundo esteve como adido cultural do Brasil em Bruxelas, Paulo lhe escrevia cartas ou publicava crônicas, como esta, para se aproximar do amigo.

Meu caro e velho Pajé,

Imagine você que recebi de presente uma caixa de papel de carta uma beleza, que eu enviaria gostosamente à madame Sévigné[1] de nossa época, se lhe soubesse o nome e endereço. Enfim, voilà une lettre! Às vezes dou comigo invejando você aí em Bruxelas ou o ve­nerando [Murilo] […]

Todo o estado de encantamento e emoção trazido pela paixão é plenamente interpretado por Rubem Braga nesta carta/ crônica em que o autor mescla fantasia e realidade em atmosfera onírica. 

[Rio de Janeiro], 5 de abril de 1956[1]

Minha querida,

Recebi sua carta à hora em que ia saindo de casa. Li-a de um só trago, voltei ao quarto para guardá-la e desci – um amigo me esperava lá embaixo. Fomos conversando até a cidade, e gostei quando me despedi dele, porque o […]