Em 1969, o ex-jogador, cronista esportivo e militante político João Saldanha foi convidado para ser treinador da Seleção Brasileira. A campanha nas eliminatórias para a Copa não poderia ter sido melhor: seis jogos e seis vitórias. Entretanto, a presença de João Sem Medo, como ficou conhecido, em cargo tão importante não interessava ao general Emílio Garrastazu Médici, terceiro comandante da ditadura militar. Saldanha relatou episódios que o levariam a deixar a função em uma carta aberta publicada na revista Placar, da qual reproduzimos alguns trechos.

[Rio de Janeiro], 27 de março de 1970

Um dia o dr. Antônio do Passo[1] apareceu na minha casa e me convidou para ser treinador da Seleção Brasileira. Não me falou em contrato, em dinheiro, em nada. Só perguntou se eu queria ser o treinador da Seleção. Eu disse a ele:

– Isso […]

Um ano antes de ter o carro onde estava alvejado por 13 tiros e ter sido morta junto com o motorista que a conduzia, a 5ª vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016, Marielle Franco, escreveu esta carta ao coletivo Bastardos da PUC-Rio. O grupo existe há dois anos e é formado por bolsistas advindos de escolas públicas, negros e pobres, moradores de favela. Nesta carta, a vereadora, “cria da favela da Maré”, socióloga formada com bolsa integral na mesma universidade, relata sua experiência e encoraja os alunos a seguir seus estudos e a resistir às adversidades encontradas pelo caminho.

Chegar à PUC-Rio pode parecer algo um tanto tenso: a natural insegurança em ocupar um espaço novo; pessoas e normas ainda desconhecidas… É impossível não sentir aquele frio na barriga! Ainda mais quando ouvimos aquelas histórias de que há professores que dão textos e filmes em inglês sem tradução, de que não se veem alunos […]