Gonçalves Dias permaneceu na Europa, em missão oficial do governo brasileiro para estudos e pesquisa, de 1854 a 1858. Era dom Pedro II quem patrocinava projetos, especialmente os relativos a documentos relevantes para a história do Brasil, no país e no estrangeiro, além de reunir, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) um grupo de intelectuais ativos. Em 1856, o poeta viajou para a Alemanha e, indo a Leipzig, em 1857, entrou em contato com o livreiro-editor Brockhaus, que editará, no mesmo ano, três livros seus: Cantos, Os Timbiras e o Dicionário da língua tupi, idioma que o imperador também chegou a estudar.

Dresden, 4 de janeiro de 1857

Meu senhor,

Com a entrada do ano que agora começa é do meu dever levar à augusta presença de vossa majestade os sinceros votos que faço pela prosperidade da família imperial, assim como pela continuação do feliz reinado de vossa majestade.

Este dever que será sempre sagrado para mim confunde-se em parte com o reconhecimento […]

Desde abril de 1946, Clarice Lispector e o marido, Maury Gurgel Valente, moravam em Berna, Suíça, onde ele, como diplomata, assumira o cargo de segundo-secretário na embaixada do Brasil. A convite do casal de jornalistas Bluma e Samuel Wainer, os Gurgel Valente passaram o final desse ano em Paris, hóspedes dos amigos, que moravam na capital francesa. De lá, onde Clarice e o marido permaneceram até 4 de fevereiro, ela escreve às irmãs Elisa e Tania.

Paris, janeiro de 1947

Minhas queridas,

Apesar de não ter escrito tanto tempo, estou sempre pensando em vocês, minhas queridinhas. Não escrevo porque minha vida aqui tem sido mais movimentada do que é possível e eu queria escrever muito, mas só poderia superficialmente. Não sei se estou louca por Paris. É difícil dizer. Com a vida assim, parece que […]

A viagem que Lucio Costa fez à Europa em 1926 era, segundo ele próprio, menos para estudo do que “por motivos sentimentais insolúveis”. Sua descrição da ilha do Maio, nesta carta, impressiona pelos detalhes de beleza geográfica e pela prosa atraente.

Bordo do Bagé, 6 de outubro de 1926

Querida mãe,

Quando embarquei no Bagé corri ao comissário a ver se havia alguma carta para mim. Entretanto de casa nada encontrei, nada recebi; fiquei desapontado. Naturalmen­te não lhes passou pela mente aproveitar esse meio de dar-me notícias – suas, mamãe, de tudo e de todos. Agora só em Paris. Já […]

Perseguido pelo então presidente marechal Floriano Peixoto, que o considerava o mentor intelectual da Revolta da Armada, movimento de oposição ao governo desencadeado no Rio de Janeiro em setembro daquele ano, Rui Barbosa embarca clandestinamente no Madalena, navio que o levaria ao exílio em Buenos Aires. Com duas semanas de viagem, escreve esta carta à mulher, com quem estava casado havia sete anos.

Buenos Aires, bordo do Madalena, 19 de setembro [de 18]93

Minha adorada Maria Augusta,

Decididamente, minha Cota, não se morre de dor, desde que eu não morri ainda. Mas morrerei, ou enlouquecerei, se isto continua, e eu não posso ir reunir-me contigo, ou tu comigo. Não sei, não sei como ainda vivo! Mas esta vida que eu levo é atroz, é desesperadora: mata-me a fogo […]