Cruz e Sousa fixou-se no Rio de Janeiro, onde as privações financeiras, as perdas familiares e as frustrações no meio editorial o enfraqueceram e o levaram à tuberculose e, anos depois, à morte. Sobre todas essas dificuldades ele escreve ao amigo Virgílio Várzea, com quem publicou, em parceria, seu livro de estreia, Tropos e fantasias, de 1885.

Corte [Rio de Janeiro], 8 de janeiro de 1889

Adorado Virgílio,

Estou em maré de enjoo físico e mentalmente fatigado. Fatigado de tudo: de ver e ouvir tanto burro, de escutar tanta sandice e bestialidade e de esperar sem fim por acessos na vida, que nunca chegam. Estou fatalmente condenado à vida de mi­séria e sordidez, passando-a numa indolência persa, bastante prejudicial à atividade […]

Reprovado em geometria ao final do ano de 1862 na Faculdade de Direito do Recife, Castro Alves escreve sobre seu desânimo ao amigo Marcolino. Depois, mergulharia na vida cultural da cidade, destacando-se nas atividades estudantis, literárias e, sobretudo, nas manifestações abolicionistas. Tentaria o curso jurídico novamente em 1868, em São Paulo, sem sucesso.

Recife, 16 de janeiro de 1863

Meu Marcolino,

Desejo que tenhas passado bem com tua excelentíssima família.

Depois de um mês e tanto de demora (no que devias estranhar-me) vou escrever-te. Mas não po­des imaginar a razão. É que eu havia perdido a tua carta e não sabia a quem fazer a adresse, de sorte que contra a minha vontade era […]

Em missão oficial de estudos e pesquisa para a qual foi comissionado pela Secretaria do Império, Gonçalves Dias permaneceu na Europa de julho de 1854 a 1858. Sua única filha, Joanna, nasceu em Paris, em 20 de novembro de 1854, e morreu, de pneumonia, em 24 de agosto de 1856, no Rio, para onde voltara com a mãe em busca de melhor clima para sua saúde. Da Europa, quando soube da morte da filha, o poeta escreve à mulher.

Paris, 15 de outubro de 1856

Olímpia,

Muito tenho para lhe escrever, minha Olímpia, e mais depois da perda que ambos acabamos de sofrer; nisso acharia eu uma triste consolação, que debalde se procura entre pessoas indiferentes.

Depois de tantos cuidados, quando tinha todas as esperanças de que a nossa pobre filha vingaria, quando todas as cartas que recebia mais me […]

Recusado pela família de Ana Amélia, por quem se apaixonara no Maranhão, Gonçalves Dias sofreria dessa recusa até morrer. De volta ao Rio de Janeiro, casa-se com Olímpia Coriolano da Costa, em setembro de 1852. Infeliz com o casamento e sempre doente, apreendendo a morte, faz este desabafo ao seu amigo mais próximo, Teófilo. Gonçalves Dias viveria ainda onze anos depois que escreveu esta carta.

Rio [de Janeiro], 10 de julho de 1853

Mano e amigo do coração,

Há muito tempo que não tenho recebido cartas tuas, sei por que desgostos tens passado e te desculpo, no entanto torna-se menor a dor que se comunica, e, ao menos de mim o digo que nas minhas horas de tristeza e de pesar, que as tenho e muitas, sinto de […]