Em 25 de setembro completam-se 50 anos da morte de Lotta de Macedo Soares, a idealizadora do Aterro do Flamengo. A obra a que Lotta se dedicou com paixão, magnificamente fotografado por Marcel Gautherot, teve projeto urbanístico e arquitetônico de Affonso Reidy e continua símbolo do Rio de Janeiro, tão ou mais icônico do que quando Rachel de Queiroz escreveu esta carta/ crônica.

[Rio de Janeiro], 16 de fevereiro de 1972

Querida Lotta, se no assento etéreo on­de você deve estar, memórias desta vida se consentem, se você vê as coi­sas cá debaixo, há de sentir uma grande alegria contemplando o seu Parque do Flamengo. Sim, o seu Par­que, Lota. Que você inventou, criou, ti­rou daquele aterro bruto, acompanhando-o pedrinha por pedrinha, planta por planta, flor por flor. Todas as suas canseiras, as lutas, a […]

A convicção de Lotta de Macedo Soares a respeito de um parque público que possibilitasse lazer ao povo levou-a a idealizar o Parque do Flamengo, cujo projeto arquitetônico e urbanístico é de autoria de Affonso Eduardo Reidy. Tomada de entusiasmo especialíssimo, e não satisfeita com a simples conclusão da obra, queria garantir-lhe futuro: passou a lutar por uma Fundação capaz de manter o Parque. Esta carta deixa claro o empenho com que Lotta batalhava pela preservação, além de mostrar sua visão de futuro. Escreveu na véspera do dia que ficou estabelecido como a data oficial de inauguração.

Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, 16 de outubro de 1965

Rachel muito querida,

Os argumentos para a “Fundação do Parque do Flamengo” são poucos, mas creio que decisivos e imprescindíveis.

A minha intenção quando comecei a obra era de obter do Rodrigo M. Franco[1] o tombamento, o que já foi feito por unanimidade apesar do Conselho ter vários inimigos do Carlos,[2] […]

É compreensível que os brasileiros associem a arquitetura de Oscar Niemeyer essencialmente a Brasília. Entre as questões mais importantes de seus projetos está a do espaço, tema desta carta ao engenheiro calculista José Carlos Sussekind.

S.l., 13 de julho de 2001

Sussekind,

Há muitos anos, creio eu, não ficava cinco dias sem trabalhar. Desta vez resolvi atender meu médico e manter o braço na tipoia, como ele pediu.

Foi uma boa experiência. Continuei a frequentar o escritório das nove da manhã às nove da noite. Mas sem desenhar, sozinho, na sala dos fundos, que é meu […]

Aos 18 anos, quando publicou seu primeiro livro, Os grilos não cantam mais (1941), Fernando Sabino enviou um exemplar a Mário de Andrade, àquela altura já escritor de grande prestígio. A resposta do autor de Macunaíma deu início a um diálogo epistolar por meio do qual se estabeleceu uma relação de mestre e discípulo de que esta carta é exemplo.

São Paulo, 16 de fevereiro de 1942

Fernando Sabino,

Vou pegar esta segunda-feira de carnaval pra lhe responder mais longamente. Você já deve ter recebido um cartão meu a respeito do assunto que você me propôs. É que a sua carta respirava um tal desejo de saber logo o que eu imaginava sobre o problema que tocava imediatamente a prática de sua […]

Enquanto escrevia Os sertões, Euclides da Cunha supervisionou o trabalho de reconstrução de uma ponte que desabara na cidade de São José do Rio Pardo, em São Paulo, onde permaneceu de março de 1898 a maio de 1901. A notícia de que havia uma frincha ameaçando a estabilidade da ponte poucos meses depois de sua inauguração, o que a colocaria em risco mais uma vez, deixou-o ansioso. Nesta carta, ele pede ao amigo Escobar para verificar a veracidade da informação, que, felizmente, se revelaria falsa: a frincha não passava de um risco de colher de pedreiro.

Lorena, 10 de agosto de 1902

Escobar,

Saúdo-te e todos os teus. Venho do Rio, onde fui — celeremente, de um noturno a outro — para conversar com o Laemmert e saber o dia que, afinal, ficará pronto o meu encaiporado livro.[1] Felizmente os frios ale­mães receberam-me num quase entusiasmo, e, quebrado o antigo desa­lento, quase preveem um sucesso […]