No início do ano de 1941, Clarice Lispector passava férias em Maricá (RJ), para onde seu futuro marido, o diplomata Maury Gurgel Valente, lhe escreve em resposta a uma carta que recebera dela e que lhe causara forte impressão. 

Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1941

Olá, marquesa de Maricá,

Antes de tudo preciso agradecer os conselhos que me foram tão dramaticamente dispensados. Você usou grandes palavras, fortes generalizações, falou da beleza tétrica da ruindade do mundo, comparada à musica moderna, que horripila mas atrai, nos meus ídolos científicos e literários, cada um, como um forçado, trazendo uma contribuição à Dúvida […]

Esta carta, escrita por Machado de Assis uma semana depois da morte de Eça de Queiroz, em 16 de agosto de 1900, não deixa dúvida quanto  à admiração que o romancista brasileiro nutria por um de seus pares mais próximos.

Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1900

Meu caro Henrique Chaves,

Que hei de eu dizer que valha esta ca­lamidade? Para os romancistas é como se perdêssemos o melhor da família, o mais esbelto e o mais válido. E tal família não se compõe só dos que entraram com ele na vida do espírito, mas também das relíquias da outra geração e, […]

Incentivado pela noiva, a baiana Maria Augusta, Rui Barbosa deixa a Bahia, seu Estado natal, e embarca para o Rio de Janeiro em busca de desenvolvimento de sua carreira jurídica. Luta para vencer as saudades, que descreve nesta carta, mas está certo de ser esse seu caminho na vida.

[Bordo do Habsburg], 26 de maio [de 1876], às cinco e meia da tarde

Aí vem, querida noiva, tão desconsolada e saudosa como as de anteontem e ontem, a noite de hoje. É a hora em que eu me enchia de alvoroço, preparando-me para ver-te. Agora quem me dera um olhar teu, aquela meiguice do teu sorriso, a doçura da tua submissão aos meus desejos, a afetuosa severidade, tão […]

Em 1893, Rui Barbosa travou intensa campanha contra o governo do então presidente marechal Floriano Peixoto nas páginas do Jornal do Brasil. Ao eclodir a Revolta da Armada, movimento desencadeado pela Marinha de Guerra do Rio de Janeiro contra o marechal, em setembro daquele ano, Rui Barbosa, considerado o mentor intelectual do levante, foi obrigado a refugiar-se na própria cidade do Rio, de onde escreve à mulher, antes de partir para o exílio em Buenos Aires.

[Rio de Janeiro], 7 de setembro [de 18]93

Minha Maria Augusta,

Estou experimentando pela primeira vez as “delícias” de ser preso, e preso inocente. Não obstante a fidalguia com que sou tratado, a boa camaradagem em que vivemos com o dono da casa, tipo de qualidades simpáticas e distintas, minha situação de espírito, pela ausência tua e de nossos filhinhos, é infinitamente dolorosa, […]

Cruz e Sousa fixou-se no Rio de Janeiro, onde as privações financeiras, as perdas familiares e as frustrações no meio editorial o enfraqueceram e o levaram à tuberculose e, anos depois, à morte. Sobre todas essas dificuldades ele escreve ao amigo Virgílio Várzea, com quem publicou, em parceria, seu livro de estreia, Tropos e fantasias, de 1885.

Corte [Rio de Janeiro], 8 de janeiro de 1889

Adorado Virgílio,

Estou em maré de enjoo físico e mentalmente fatigado. Fatigado de tudo: de ver e ouvir tanto burro, de escutar tanta sandice e bestialidade e de esperar sem fim por acessos na vida, que nunca chegam. Estou fatalmente condenado à vida de mi­séria e sordidez, passando-a numa indolência persa, bastante prejudicial à atividade […]