Durante a revolução constitucionalista de 1932, contra o governo do então presidente Getúlio Vargas, o jornalista Júlio de Mesquita Filho lutou no front, de onde, de 9 de julho a 2 de outubro, se correspondia com a mulher, Marina. Apaixonada, ela enfrenta com coragem e bom humor a ausência do marido, sem deixar de se revoltar pela falta que ele lhe faz.

São Paulo, 14 de julho de 1932

Meu Julinho,

Depois da conversa com você, encontrei na porta da estação Marcos Ribeiro dos Santos, que amavel­mente se ofereceu para qualquer coisa que eu precisasse lhe mandar. Aproveitei o oferecimento no ar e já vai aqui esta mal traçada missiva e roupas, escova de dentes, pasta etc., tudo de que você precisa por aí. […]

O aumento da repressão provocado pelo AI-5 em 1968 fez com que a correspondência do pensador Alceu Amoroso Lima com sua filha Maria Teresa, madre no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo, se tornasse cada vez mais indignada com a posição de amigos e da imprensa diante do regime militar instaurado em 1964. “Como você vê, não vejo nenhuma janela próxima por onde se possa respirar”, escreve nesta carta, no momento em que o país vivia sob a presidência de Arthur da Costa e Silva.

Petrópolis, 9 de fevereiro de 1969

Já quase meio-dia. Leitura descansada dos jornais, embora estes continuem a apresentar o aspeto melancólico e, sobre­tudo, o Correio da Manhã, de uma imprensa autoamordaçada pelo militotalitarismo que é, agora, o regime a que estamos submetidos desde o trágico dia 13 de dezembro de 1968, em que se consumou – por tempo indefinido – a […]

Três dias depois do golpe militar no Brasil, o pensador católico Alceu Amoroso Lima escreveu esta carta à filha, Maria Teresa, religiosa que professava no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo. Tristão de Athayde, como ficou conhecido, foi fervoroso crítico do regime dos generais e condena os acontecimentos que, com lucidez, caracterizaria como uma “onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país”.

Petrópolis, 4 de abril de 1964

Estamos vivendo uma hora muito sombria, em que urge a restauração ou a instauração de um governo civil, para pôr cabo à onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país e se traduziu particularmente em Belo Horizonte com o varejamento do Convento dos Dominicanos (sic). Leio nos jornais o relato e o protesto de […]

No dia 5 de março de 1936, no Rio de Janeiro, Luiz Carlos Prestes, líder do movimento antifascista de 1935, e sua mulher, Olga Benário Prestes, foram encarcerados. De Paris, a mãe do revolucionário encabeçou um movimento de libertação dos presos políticos no Brasil. A iniciativa, bem-sucedida, possibilitou sua comunicação com o filho, por correspondência, e, dois anos depois, a libertação da neta, Anita Leocádia, nascida numa prisão da Alemanha para onde Olga fora deportada.  

Paris, 31 de julho de 1937

Meu querido filho,

O meu mais ardente desejo é que estas linhas te encontrem com saúde. Tenho presente tua boa carta datada de 16 do corrente e que aqui chegou com dez dias de viagem, o que não sei como explicar, porque veio pelo avião. Recebi também a que escreveste à nossa querida Olga.

Lamento […]