Premiado em 1938 com a primeira bolsa concedida pelo Conselho Britânico para estudos da língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, é de lá que Vinicius de Moraes escreve aos amigos Rosita e Thiers Martins sobre a vida no país estrangeiro e, sobretudo, sobre sua poesia.

Magdalen [College], Oxford, 24 de janeiro de 1939

Meus caros Rosita e Thiers,

Como vai essa vida lírica? Vocês dois são positivamente o casal mais lírico que eu conheço. E a garotada? Ó inveja de vocês! Ó quando eu puder ter um ou dois me atrapalhando as pernas por dentro de casa, fa­zendo pipi na sala, chorando de noite, querendo mamadeira, mais tar­de […]

Este poema-epístola enviado como carta por Paulo Leminski ao poeta e amigo Régis Bonvicino integra um conjunto que, para o último, não só confirma a ideia de dissolução de limites na poesia de Leminski, como também mostra seu processo criativo e sua concepção de poesia.

S.l., outubro de 1977

Paulo, pequeno irmão,
da pequena cidade de Curitiba,
ilha de certeza
cercada de pequenos problemas por todos os lados,
a Régis, grande irmão,
na grande cidade de São Paulo,
cercado por um grande problema

………….

pare de se lamentar
como uma velha carpideira siciliana

esse teu medo de […]

O verso “Minas não há mais”, do poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, inspirou a organização da mesa “Minas não há mais?” no Seminário sobre economia mineira, coordenado por Francisco Iglésias e realizado em Diamantina entre 15 e 17 de setembro de 1982. Esta é a resposta de Drummond ao amigo que lhe escrevera dando notícias sobre o evento.  

Rio [de Janeiro], 29 de setembro [de] 1982

Meu caro Iglésias,

Obrigado pela sua boa carta. Gostei de ter notícia do Seminário, coordenado por você com a notória competência. De acordo com o resultado: Minas e – acrescento – haverá sempre, se soubermos preservar certas marcas imunes à industrialização e ao cosmopolitismo, e conviventes com eles. A gente carrega Minas no sangue, […]

“Foi amor à primeira vista”, afirmou Caio Fernando Abreu sobre Ana Cristina Cesar, que conheceu em 1982, ano do lançamento de A teus pés, primeiro livro da poeta homenageada na FLIP de 2016. A amizade se desenvolveu por meio de cartas e encontros que perduraram até a morte dela, em 1983. Doze anos depois, o escritor, cujos 20 anos de morte se completaram em 2016, publicou esta carta, enviada por Ana, em uma matéria que escreveu para o jornal O Estado de S. Paulo.

Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1982

Te escrevo, Caio querido, com teu telefonema ainda quente, deixo Proust de lado e a burocracia editorial da lista de nomes e endereços e ceps, que me consola como um álbum de figurinhas. Ando gemebunda. Aguardo bem o livro[1] mas com aflição do número imprensa e dos falsos elogios dos amigos. Lançamento vai […]

Quando o pintor e poeta Vicente do Rego Monteiro propôs a João Cabral de Melo Neto publicar Pedra do sono na revista Renovação, que editava, Cabral entrou em pânico e tentou, inutilmente, demover o amigo da ideia. Conseguiu dele, porém, a promessa de que do livro não se faria uma separata, como era costume, e que a publicação ficaria subordinada à opinião de Carlos Drummond de Andrade. “Sinto que não é esta a poesia que eu gostaria de escrever”, afirmara em carta a Drummond, que, em resposta, lhe enviou esta, incentivando-o a publicar os poemas mesmo assim.

Rio [de Janeiro], 17 de janeiro de 1942

Meu caro João Cabral,

A falta de resposta deve implicar consentimento, não desaprovação. Como você pensa de outro modo, quero manifestar-lhe expressamente minha opinião sobre a inclusão do seu livro na coletânea de Vicente do Rego Monteiro.[1] Acho que você deve publicar. Sou de opinião que tudo deve ser publicado, uma vez que […]