A troca de cartas entre Vinicius de Moraes e Chico Buarque a respeito de Valsinha mostra como foi a parceria para essa canção que encantou o público. Gravada por Chico no elepê Construção, de 1971, recebeu, no mesmo ano, as interpretações de Ângela Maria, no elepê Ângela, e do grupo MPB-4 em De palavra… em palavra…

Rio [de Janeiro], 2 de fevereiro [de 1971]

Caro poeta,

Recebi as suas duas cartas e fiquei meio embananado. É que eu já estava cantando aquela letra, com hiato e tudo, gostando e me acostumando a ela. Também porque, como você já sabe, o público tem recebido a valsinha com o maior entusiasmo, pedindo bis e tudo. Sem exagero, ela é o ponto […]

Diplomata brasileiro que representou o Brasil com raro fervor, Ribeiro Couto não dissociou a carrière, como gostava de se referir à sua carreira diplomática, da vida pessoal. Nesta carta a um de seus colaboradores, e com o bom humor de sempre, lê-se o testemunho de um espírito tão apaixonado quanto profissional.

Belgrado, 22 de agosto de 1954.

Meu caro Vasco,

Estou escrevendo às quatro da madrugada. Sua carta de doze do corrente me deu grande prazer. Há muito que não tinha notícias suas, mas era evidente que você deveria estar atrapalhado com os habituais incômodos da instalação.

Gostei de saber das suas próximas gravações com o grande Mignone.

Tenho trocado cartas com […]

Dois mitos da música popular brasileira, Rita Lee e Elis Regina, que aqui se assina Elizabeth Maria, foram vizinhas no bairro paulistano Serra da Cantareira, onde desenvolveram fortes laços de afeto. “Ah se eu tivesse um nono daquela voz”, exclamava a roqueira paulista a respeito do vozeirão da gaúcha – conta Lee na autobiografia.

[1978]

Rita querida,

Foi bom ter te conhecido mais um pouco. Obrigada por tudo.

Conversei um tanto com Henfil a teu respeito. E a respeito da música que você fez pra Ubaldo.[1] Ele ficou surpreso, primeiro. Feliz, depois. E puto pela impossibilidade de ela estar sendo cantada.

Pede que você tente mais uma vez. […]

Grande foi a tarefa de Jacob do Bandolim ao gravar a histórica suíte Retratos, com regência de Radamés Gnattali, autor da composição a ele, Jacob, dedicada e comentada por Bia Paes Leme na Rádio Batuta, do IMS. Toda a gratidão e devoção do bandolinista homenageado ressaltam nesta carta ao maestro.

S.l., 23 de outubro de 1964

Meu caro Radamés,

Antes de Retratos,[1] eu vivia reclamando: “É pre­ciso ensaiar…”. E a coisa ficava por aí: ensaios e mais ensaios.

Hoje minha cantilena é outra: “Mais do que ensaiar, é necessário estudar!”. E estou estudando. Meus rapazes também (o pandeirista já não fala em paradas: “Seu Jacob! O senhor aí quer […]

De Adylia Bittencourt, viúva de Jacob Pick Bittencourt, encaminhada em 15.10.1979, ao membro do Conselho de Cultura da Bahia, Sr. Gilberto Gil, questionando a forma deselegante e equivocada com que o referido conselheiro se referiu a Jacob do Bandolim, já falecido, em entrevista dada a Revista Status, em outubro de 1979.

Rio [de Janeiro], 15 de outubro de 1979

Ilustríssimo senhor
Conselheiro Gilberto Gil
Conselho de Cultura da Bahia
Senhor conselheiro,

Uma das lições de dignidade que me ensinou meu marido, Jacob Pich Bittencourt, foi não silenciar diante das inverdades. E vossa senhoria, na revista Status de outubro de 1979, nº 63, não fez outra coisa ao atacar a memória do […]