Amigos desde a infância, em Belo Horizonte, Fernando Sabino e Hélio Pellegrino mantiveram entre si – e com Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, com quem formavam o grupo dos “quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse” – constante e divertida correspondência, como prova esta carta escrita pelo autor de O encontro marcado.

Rio [de Janeiro], 7 de junho de 1945

Hélio,

Vou te escrever uma carta amanhã. Uma carta mesmo de verda­de, para o Murilo [Rubião] levar. São três horas da manhã, estou cansado.

Fiquei comovido com sua Carta-Poema. Você é um grande poe­ta, um grande amigo, um grande sacripanta.[1]

É engraçado, Hélio, não há meios de segurar o tempo, e eu queria […]

Pai do Fradim e da Graúna, dentre outros personagens clássicos do cartum brasileiro, Henfil escreveu as “Cartas da mãe”, publicadas na revista Istoé, depois de passar uma temporada em Nova York em busca de tratamento para a hemofilia. O tom divertido e irônico com que o cartunista conseguiu driblar a censura e criticar o regime militar as tornou conhecidas e inspirou o média-metragem homônimo lançado em 2003, que teve narração do ator e diretor Antônio Abujamra.

Natal, 23 de novembro de 1977

Dona Maria,

Vai chegando o Natal e começa a dar uma nostalgia fininha, doída na gente. Isto é normal, mãe? A senhora que já cursou oito filhos poderia me dizer se esta dor tem chá que cura? Erva cidreira é bom? Ou foi porque andei toman­do friage depois de beber quente?

A senhora sempre disse […]

A atuação de Decio de Almeida Prado na coluna de crítica teatral em O Estado de S. Paulo mudou a feição do gênero, mostrou-se fundamental para a formação de um novo tipo de público, além de ter sido respeitada por toda uma geração de profissionais no país, entre os quais o ator Gianfrancesco Guarnieri e Cecília Thompson, jornalista e atriz com quem foi casado. Decio reuniu alguns de seus textos em Teatro em progresso, cujas críticas às peças de Guarnieri motivaram esta carta de Cecília em retrospectiva de um período importante para o teatro brasileiro.

São Paulo, 10 de dezembro de 1972

Prezado Decio,

Domingo à tarde. Reli, comovidamente, durante duas horas, todas as suas críticas, em Teatro em progresso, às peças de Guarnieri. E ficou forte a necessidade de lhe escrever: para dizer o quanto essas horas foram importantes, o quanto me devolveram um “tom”, uma convivência, um diálogo há muito perdidos. Também no plano pessoal: […]

Esta carta do jornalista, jurista e poeta Luiz Gama é resposta ao pedido que lhe fizera o escritor Lúcio de Mendonça para que lhe enviasse informações sobre os fatos dramáticos de sua vida de filho de negra, africana livre, e pai de origem portuguesa. A experiência de vida aqui relatada transformou-o num dos maiores abolicionistas brasileiros: “exauria-se no próprio ardor”, como disse Raul Pompeia no seu enterro. 

São Paulo, 25 de julho de 1880

Meu caro Lúcio,

Recebi o teu cartão com a data de 28 do pretérito.

Não me posso negar ao teu pedido […],[1] aí tens os apontamentos que me pedes, e que sempre eu os trouxe de memória.

Nasci na cidade de São Salvador, capital da província da Bahia, em um sobrado da rua […]

A forte amizade entre Clarice Lispector e o casal Mafalda e Erico Verissimo levou a escritora a convidá-los oficialmente para serem os padrinhos de seus filhos, Pedro e Paulo, três anos após o nascimento do segundo. Não é sem razão que Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice, reconhece os Verissimo como avós e os melhores amigos de sua mãe..

Washington, 7 de setembro de 1956,
Sexta-feira, 10 horas a.m.

Prezados senhor e senhora Erico Verissimo,

Como é do conhecimento dos senhores, meu marido e eu, não tendo infelizmente religião (por enquanto), criamos nossos filhos na ideia de Deus, mas sem lhes dar rituais definitivos, e à espera de que eles próprios mais tarde se definam.

Tendo terminado com algum esforço frase tão comprida, venho […]