Casada com o diplomata Maury Gurgel Valente desde 1943, Clarice Lispector acompanhou-o em todos os postos mundo afora. Na capital suíça ela deu à luz seu primeiro filho, Pedro, que de tão bonito o chamou também de Gildo, evocando a beleza de Rita Hayworth no filme Gilda, de 1946.

Berna, 11 [de] setembro [de] 1948

Minhas irmãzinhas queridas,

Vocês devem ter recebido o telegrama de Maury – Pedro nasceu ontem, dia 10, às 7h30 da manhã. Estou escrevendo na madrugada de 11, porque não posso dormir direito. Estamos muito contentes, Maury e eu: a criança é sadia, fortona, pesa uns três quilos, seiscentos – por enquanto é a cara do […]

Poeta sexagenário em 1962, Carlos Drummond de Andrade publicou nesse ano o livro Lição de coisas, no qual pratica “a violação e a desintegração da palavra”, segundo escreveu o próprio poeta. Na obra, incluiu o soneto “Carta”, endereçado à mãe, Julieta Augusta Drummond de Andrade, com quem nunca deixou de se corresponder desde que veio morar no Rio de Janeiro em 1934. Também a ela dedicou o poema “Para sempre”, publicado nesse mesmo livro.

S.l., s.d.

Carta

Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias

(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde […]

No dia 5 de março de 1936, no Rio de Janeiro, Luiz Carlos Prestes, líder do movimento antifascista de 1935, e sua mulher, Olga Benário Prestes, foram encarcerados. De Paris, a mãe do revolucionário encabeçou um movimento de libertação dos presos políticos no Brasil. A iniciativa, bem-sucedida, possibilitou sua comunicação com o filho, por correspondência, e, dois anos depois, a libertação da neta, Anita Leocádia, nascida numa prisão da Alemanha para onde Olga fora deportada.  

Paris, 31 de julho de 1937

Meu querido filho,

O meu mais ardente desejo é que estas linhas te encontrem com saúde. Tenho presente tua boa carta datada de 16 do corrente e que aqui chegou com dez dias de viagem, o que não sei como explicar, porque veio pelo avião. Recebi também a que escreveste à nossa querida Olga.

Lamento […]

Pai do Fradim e da Graúna, dentre outros personagens clássicos do cartum brasileiro, Henfil escreveu as “Cartas da mãe”, publicadas na revista Istoé, depois de passar uma temporada em Nova York em busca de tratamento para a hemofilia. O tom divertido e irônico com que o cartunista conseguiu driblar a censura e criticar o regime militar as tornou conhecidas e inspirou o média-metragem homônimo lançado em 2003, que teve narração do ator e diretor Antônio Abujamra.

Natal, 23 de novembro de 1977

Dona Maria,

Vai chegando o Natal e começa a dar uma nostalgia fininha, doída na gente. Isto é normal, mãe? A senhora que já cursou oito filhos poderia me dizer se esta dor tem chá que cura? Erva cidreira é bom? Ou foi porque andei toman­do friage depois de beber quente?

A senhora sempre disse […]

De meados de 1967 a 1969, Otto Lara Resende foi adido cultural na Embaixada do Brasil em Portugal. Em dezembro, pouco depois de chegar a Lisboa, sua mulher, Helena Pinheiro de Lara Resende, descobriu que estava grávida do quarto filho. Na verdade, uma menina, que nasceria no dia 24 de julho de 1968 e receberia o nome de Helena Lara Resende (Heleninha). Nesta carta, Otto dá voz ao bebê.

Lisboa, 22 de novembro de 1967

Desculpe a intimidade, dona Helena, mas…

Mamãe,

Sei perfeitamente os aborrecimentos e os transtornos que já lhe estou dando. Por minha vontade, creia, jamais viria per­turbar ainda mais a sua vida e a do doutor Otto, isto é, do papai. Tenho certeza, porém, de que muito breve teremos estabelecido melhores relações e desde já lhe […]