Vinte dias depois de Mario Quintana ter completado sessenta anos, Paulo Mendes Campos o homenageou com esta carta, publicada na revista Manchete de 20 de agosto de 1966.

Meu caro poeta: no dia 30 de julho passado fizeste sessenta anos. Não dou os parabéns a ti, mas a mim e a todos os convivas de tua poesia. Imagina que em uma galáxia remota estejam reproduzidas todas as formas terrestres – a antimaté­ria de que falam esses descabelados ro­mânticos da realidade, os físicos moder­nos. […]

“My dear”, a quem Ana Cristina Cesar se dirige, é Heloisa Buarque de Hollanda, professora e amiga da poeta. A carta foi publicada em 1979, em edição artesanal, formato 10×7, sob o título Correspondência completa e a indicação de ser 2a edição. Trata-se, de fato, da primeira. O dado falso não passa de brincadeira da autora.

Rio de Janeiro, agosto de 1979

My dear,

Chove a cântaros. Daqui de dentro penso sem parar nos gatos pingados. Mãos e pés frios sob controle. Notícias imprecisas, fique sabendo. E de propósito? Medo de dar bandeira? Ouça muito Roberto: quase chamei você, mas olhei para mim mesmo etc. Já tirei as letras que você pediu.

O dia foi laminha. Célia […]

Admirador de Olímpio de Souza Andrade, Drummond lhe escreve este bilhete em agradecimento a livros que recebera.

Rio [de Janeiro], 31 [de] agosto [de] 1975

Meu caro, grande e modesto Olímpio de Souza Andrade,

Nem sei o que mais agradecer a você – se a dádiva das edições de Contrastes e confrontos[1] ou as palavras que a acompanharam. Restaria ain­da por agradecer esse serviço que você presta à memória de Euclides da Cunha, e que importa em dívida […]

Contemporâneo de Lygia Fagundes Telles e 21 anos mais velho que ela, Drummond pôde acompanhar a trajetória de uma das maiores contistas da literatura brasileira e tecer considerações sobre a obra da amiga. É o que faz nesta carta em que comenta os contos de O jardim selvagem, publicado no ano anterior.

Rio de Janeiro, 28 [de] janeiro [de] 1966

Lygia querida,

Sabe que ganhei de Natal uma gravata bacaníssima, cuja está no armário esperando para ser usada numa reunião à altura? E que me de­ram também um pratinho conimbrense muito do gracioso, para guardar pe­quenas coisas importantes do equipamento de um senhor supostamente ele­gante? E que além desses dois mimos me regalaram com um […]

Em resposta à carta que lhe escrevera Rodrigo Octavio Filho a respeito de dados sobre o Penumbrismo, Ribeiro Couto, que nessa época era embaixador do Brasil em Belgrado e a quem se atribuía a criação desse “jeito” de fazer versos, envia-lhe preciosas informações nesta carta. Rodrigo Octavio as utilizaria para escrever o excelente estudo sobre o assunto, incluído em seu Simbolismo e Penumbrismo, de 1970.

Belgrado, 10 de março de 1957

Querido Didi,

Sabes o que é Belgrado. Pelo menos pelos jornais. Um sem parar de acontecimentos, tomadas de posição, polêmicas (pró ou contra os comborços), suposições sensacionais, decepções, esperanças, e outra vez acontecimentos etc. etc. A montanha-russa (sem trocadilho) no mais mecânico sentido da roda que gira. Como tenho uma embaixada a meu cargo, e […]