Os 80 anos de nascimento de Manuel Bandeira foram largamente comemorados em todo o país. Decio de Almeida Prado, que, 1966, era diretor do “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo, cargo que exerceu de 1956 a 1967, quis homenagear o Poeta de Pasárgada com um poema que encomendou a outro poeta pernambucano: João Cabral de Melo Neto. Mas o autor de “Morte e vida severina” explica, nesta carta, o porquê de não poder aceitar a tarefa.

Berna, 25 de março de 1966

Meu caro Decio,

Muito honrado com seu telegrama encomendando um poema para o número do suplemento sobre o Manuel.[1] O poeta merece todos os poemas (bons) e o amigo também (para não falar no primo e no conterrâneo). Acontece porém que ando completamente esgotado para qualquer trabalho criador. Acabo de terminar um livro […]

“Soberba página” – classificou Manuel Bandeira esta carta de Gonçalves Dias sobre a grandiosidade da natureza amazônica. Foi escrita quando o poeta de “I-Juca Pirama” chegou a Manaus durante a visita que fez à cidade como etnógrafo da Comissão Científica de Exploração, em que atuou entre 1859 e 1862. Para Bandeira, esta “é a melhor prosa que nos deixou o poeta”, e comparou-a às mais altas páginas de José de Alencar, com “antessabor das de Euclides da Cunha”.

Manaus, 20 de dezembro de 1861

Principio agora com uma série de cartas,[1] tão longa cada uma delas que o nosso correio, segundo desconfio, não tas deixará chegar às mãos senão por intermitências. Se te chegarem constantemente, é que ele o fará de velhaco, pelo gosto de me dar um desmentido perante o respei­tável, tão pouco respeitado. Ainda bem […]

Depois de se formar bacharel no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, o poeta Álvares de Azevedo voltou para a cidade natal, São Paulo, a fim de estudar Direito. Nesta carta, escrita pouco depois de seu ingresso na faculdade, cria toda a atmosfera sombria que desenvolveria na peça Macário, de 1852. A descrição que faz aqui das ruínas vistas durante um passeio noturno em direção à cidade litorânea de Santos é muito semelhante à da peça.

São Paulo, 20 de julho de 1848

My dearest,

Nada por aqui tem ocorrido de novo, nada digno de ser-te contado. Quanto a mim, só tenho a dar-te uma notícia: estou fazendo uma imitação em verso do quinto ato do Otelo de Shakespeare.

Sou o homem das reações, como sabes: dei ago­ra em não mostrar versos a ninguém; e aqui em São […]

Como colaborador prudente do “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo, dirigido por Decio de Almeida Prado de 1956 a 1967, Carlos Drummond de Andrade lhe enviou este curioso bilhete em que dá ao editor a liberdade de fazer alteração importante no poema que o IMS gravaria em DVD, “Especulações em torno da palavra homem”. Os cuidados de Drummond com o emprego do verbo nesse poema, e em um outro de natureza semelhante, foram estudados por Mariana Quadros em “Cartas de estimação de Carlos Drummond de Andrade”. O verbo copular seria mantido na versão publicada em A vida passada a limpo (1959), conforme decisão do poeta expressa neste bilhete. 

Rio [de Janeiro], 3 de fevereiro de 1957

Prezado Decio de Almeida Prado,

Um abraço

Aí vai, para o suplemento do Estado, qualquer coisa parecida com um poema, longo e monótono de caso pensado. Se achar que o verbo copular, no sétimo terceto, fere o leitor comum, pode substituí-lo por enlaçar. Em livro a gente restabelece a palavra, como já tenho feito.

Cordialmente, […]

Como colaborador do “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo, dirigido por Decio de Almeida Prado de 1956 a 1967, João Cabral lhe enviava poemas para serem publicados no suplemento. Nesta carta, escrita de Sevilha, onde seguia carreira diplomática, o poeta recusa convite para escrever prosa.

Sevilha, 7 de abril de 1957

Meu caro Decio,

Recebi sua última carta. Está tudo ok – tudo o que você diz a respeito de pagamento, datas de publicação, etc. Não se preocupe que não me prejudica em nada deixar os poemas inéditos mais tempo.

O que você me pede a respeito da nota é que está difícil. Devo dizer que […]