Colaborador dinâmico em periódicos na América do Sul, junto com sua mulher, a intelectual Lidia Besouchet, Newton Freitas divulgou a literatura brasileira durante seu exílio, sobretudo em Buenos Aires, no período da ditadura militar. Iniciada em 1940, a amizade entre Mário de Andrade e Newton, apesar de curta, foi intensa. Mário via em Newton “o sul-americano sem sumário, que vive necessariamente em sul-americanismo”. Para este, o autor de Macunaíma foio mais belo episódio” de sua vida, porque reunia e resumia as figuras de mestre, herói e irmão mais velho.

São Paulo, 16 de abril de 1944

Meu caro Newton,

Esta carta vai lhe causar algum desgosto, se prepare. Estou respondendo à última sua, que tem tanto assunto que vou responder rápido um por um […].[1] Eu estava no hospital, e aliás mesmo que estivesse presente nada poderia fazer, está claro. Por coincidência, no dia em que o Petit chegou, […]

Em 1956 é publicado o romance Grande sertão: veredas, considerado uma das três epopeias em língua portuguesa, depois de Os lusíadas e Os sertões. Atualizada com os lançamentos recentes no Brasil, Clarice Lispector, na época vivendo nos Estados Unidos com a família, expressa seu encantamento com a leitura do livro recém-publicado de Guimarães Rosa ao amigo mineiro Fernando Sabino.

Fernando,

Estou lendo o livro de Guimarães Rosa, e não posso deixar de escrever a você. Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele, ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida […]

Premiado em 1938 com a primeira bolsa concedida pelo Conselho Britânico para estudos da língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, é de lá que Vinicius de Moraes escreve aos amigos Rosita e Thiers Martins sobre a vida no país estrangeiro e, sobretudo, sobre sua poesia.

Magdalen [College], Oxford, 24 de janeiro de 1939

Meus caros Rosita e Thiers,

Como vai essa vida lírica? Vocês dois são positivamente o casal mais lírico que eu conheço. E a garotada? Ó inveja de vocês! Ó quando eu puder ter um ou dois me atrapalhando as pernas por dentro de casa, fa­zendo pipi na sala, chorando de noite, querendo mamadeira, mais tar­de […]

Amigos, Mário de Andrade e Moacir Werneck de Castro conviveram intensamente entre julho de 1938 e fins de fevereiro de 1941, período em que o primeiro morou no Rio de Janeiro, sofrendo de inadaptação e solidão. De volta a São Paulo, cartas, como esta, de certa maneira substituíam as longas conversas na Taberna da Glória, quase em frente ao apartamento que Mário alugava na rua Santo Amaro, 5, no mesmo bairro da Glória.

São Paulo, Reis [6 de janeiro] de 1942

Moacir,

Deixei de responder mais cedo à sua última carta, muito delibe­radamente. Desta vez o “missivista exemplar” estava carecendo de não escrever a certos amigos mais certos. Se escrevesse, mentia. Vo­cês já estão arquissabidos de que eu estava no fim de um período de desequilíbrio, e eu com vergonha de feitas as promessas e as […]

Este poema-epístola enviado como carta por Paulo Leminski ao poeta e amigo Régis Bonvicino integra um conjunto que, para o último, não só confirma a ideia de dissolução de limites na poesia de Leminski, como também mostra seu processo criativo e sua concepção de poesia.

S.l., outubro de 1977

Paulo, pequeno irmão,
da pequena cidade de Curitiba,
ilha de certeza
cercada de pequenos problemas por todos os lados,
a Régis, grande irmão,
na grande cidade de São Paulo,
cercado por um grande problema

………….

pare de se lamentar
como uma velha carpideira siciliana

esse teu medo de […]