Editado em livro em 1920, Vida ociosa, de Godofredo Rangel, teve uma versão anterior, ligeiramente diversa, publicada na Revista do Brasil, por sugestão de Monteiro Lobato que, nesta carta, revela total compreensão do estilo do amigo e do valor do livro.

Fazenda [São Paulo],[1] 6 de julho de 1917

Rangel,

Retiro tudo quanto disse a propósito do teu estilo, em tantas cartas anteriores. Em vez de mudar alguma coisa, podar, concentrar, fazer, em suma, o que sugeri, não deves fazer coisíssima nenhuma. Estás sedimentado definitivamente e lindo. Encantou-me tanto a Vida ociosa que me envergonhei de todas as minhas velhas sugestões. Compreendi agora. Você […]

Nesta carta a Joaquim Nabuco, o autor de Dom Casmurro comenta o livro do amigo, Pensées détachées et souvenirs (1906), que, escrito em francês, acabara de ser publicado em Paris. Seria publicado no Brasil com o titulo Pensamentos soltos: Camões e assuntos americanos em 1937

[Rio de Janeiro], 19 de agosto de 1906

Meu querido Nabuco,[1]

Quero agradecer-lhe a impressão que me deixaram estas suas páginas de pensamentos e recordações. Vão aparecer jus­tamente quando você cuida de tarefas práticas de ordem política. Um professor de Douai, referindo-se à influência relativa do pen­sador e do homem público, perguntava uma vez (assim o conta Dietrich) se haveria grande […]

Entre as discussões epistolares que Monteiro Lobato e Godofredo Rangel trocaram ao longo de quarenta anos, destaca-se a desta carta, a respeito de estilo.

Taubaté, 15 de julho de 1905

Rangel,

O bilhete postal — um beliscão — talvez me faça dar resposta à tua última e dizer o que penso do Diário e do autor — coisa que há 15 dias pretendo, mas não consigo fazer. Digo “talvez”, porque tal­vez esta carta fique a meio caminho. Conheces muito bem a doença periódica da grafobia, […]

Joaquim Nabuco defendia o ingresso de Artur Jaceguai, herói da Guerra do Paraguai, na Academia Brasileira de Letras. Jaceguai, no entanto, relutava em se candidatar por não se considerar um homem de letras. Em 1907, terminou por entrar para a Casa de Machado de Assis com um discurso famoso, em que não fazia referência ao antecessor, Teixeira de Melo, autor de Sombras e sonhos, de 1858, poeta da geração romântica de Casimiro de Abreu e Luís Delfino.

Londres, 8 de outubro de 1904

Meu caro Machado,

Há tempos recebi a sua boa carta sobre a Sentença, carta verdadeiramente primorosa e uma das que mais vezes hei de reler, quando tiver tempo para voltar ao passado e viver a vida das recordações. Por enquanto sou um escravo da atualidade que passa, e cada dia a tarefa que ela me […]

Em 22 de fevereiro de 1868, o Correio Mercantil publicara uma carta de José Alencar a Machado de Assis, escrita no dia 18 do mesmo mês, apresentando-lhe Castro Alves, que, então com 21 anos de idade, visitava o Rio de Janeiro. Esta carta que se reproduz aqui e que seria publicada no Correio Mercantil em 1º de março do mesmo ano contém a consagradora resposta do romancista de Dom Casmurro.

Rio de Janeiro, 29 de fevereiro de 1868

Excelentíssimo senhor,

É boa e grande fortuna conhecer um poeta; melhor e maior fortuna é recebê-lo das mãos de vossa excelência, com uma carta que vale um diploma, com uma recomendação que é uma sagra­ção. A musa do senhor Castro Alves não podia ter mais feliz introito na vida literária. Abre os olhos em pleno […]