Colega de curso na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde  Lygia Fagundes Telles era a única mulher, Antonio Candido, nesta carta, relembra o período em que conheceu a escritora em um concurso de contos. Desta vez, o crítico literário a felicita pelo recebimento do Prêmio Camões – o mais importante da literatura de língua portuguesa –, e reivindica o lugar de ter sido dos primeiros a reconhecer-lhe o talento.

São Paulo, 15 de maio de 2005

Querida Lygia:

Parabéns pelo Prêmio Camões, com muito orgulho para mim por tê-la como colega de galardão. Ninguém o merece mais do que você, não apenas pela alta qualidade da obra, mas pela dignidade da carreira, construída com persistência equivalente à força do talento, num exemplo de vocação servida desde a adolescência pelo trabalho consciente.

[…]

Lygia Fagundes Telles cursava ainda a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco quando começou a trabalhar como assistente do Departamento Agrícola do Estado de São Paulo. Embora estudasse para ser advogada, como o pai, aos 20 anos estava certa de que sua vocação era a literatura. Esta carta, escrita para Erico Verissimo, de quem era amiga, testemunha a insatisfação com o cargo público e a criação improvisada de um pequeno e delicioso conto.

São Paulo, 3 de julho de 1943

Erico Verissimo, estou numa sala onde trabalho, isto é, onde devo deixar todos os dias num livro, fincado como um marco, o vestígio da minha passagem. Em outros termos, funcionária pública, a pior funcionária pública que existe no mundo. Leio romances enfurnados na gaveta, tenho o ar dolorido para que não me deem serviço e, […]

Colaborador dinâmico em periódicos na América do Sul, junto com sua mulher, a intelectual Lidia Besouchet, Newton Freitas divulgou a literatura brasileira durante seu exílio, sobretudo em Buenos Aires, no período da ditadura militar. Iniciada em 1940, a amizade entre Mário de Andrade e Newton, apesar de curta, foi intensa. Mário via em Newton “o sul-americano sem sumário, que vive necessariamente em sul-americanismo”. Para este, o autor de Macunaíma foio mais belo episódio” de sua vida, porque reunia e resumia as figuras de mestre, herói e irmão mais velho.

São Paulo, 16 de abril de 1944

Meu caro Newton,

Esta carta vai lhe causar algum desgosto, se prepare. Estou respondendo à última sua, que tem tanto assunto que vou responder rápido um por um […].[1] Eu estava no hospital, e aliás mesmo que estivesse presente nada poderia fazer, está claro. Por coincidência, no dia em que o Petit chegou, […]

Em 1956 é publicado o romance Grande sertão: veredas, considerado uma das três epopeias em língua portuguesa, depois de Os lusíadas e Os sertões. Atualizada com os lançamentos recentes no Brasil, Clarice Lispector, na época vivendo nos Estados Unidos com a família, expressa seu encantamento com a leitura do livro recém-publicado de Guimarães Rosa ao amigo mineiro Fernando Sabino.

Fernando,

Estou lendo o livro de Guimarães Rosa, e não posso deixar de escrever a você. Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele, ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida […]

Premiado em 1938 com a primeira bolsa concedida pelo Conselho Britânico para estudos da língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, é de lá que Vinicius de Moraes escreve aos amigos Rosita e Thiers Martins sobre a vida no país estrangeiro e, sobretudo, sobre sua poesia.

Magdalen [College], Oxford, 24 de janeiro de 1939

Meus caros Rosita e Thiers,

Como vai essa vida lírica? Vocês dois são positivamente o casal mais lírico que eu conheço. E a garotada? Ó inveja de vocês! Ó quando eu puder ter um ou dois me atrapalhando as pernas por dentro de casa, fa­zendo pipi na sala, chorando de noite, querendo mamadeira, mais tar­de […]