Três dias depois do golpe militar no Brasil, o pensador católico Alceu Amoroso Lima escreveu esta carta à filha, Maria Teresa, religiosa que professava no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo. Tristão de Athayde, como ficou conhecido, foi fervoroso crítico do regime dos generais e condena os acontecimentos que, com lucidez, caracterizaria como uma “onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país”.

Petrópolis, 4 de abril de 1964

Estamos vivendo uma hora muito sombria, em que urge a restauração ou a instauração de um governo civil, para pôr cabo à onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país e se traduziu particularmente em Belo Horizonte com o varejamento do Convento dos Dominicanos (sic). Leio nos jornais o relato e o protesto de […]

No dia 5 de março de 1936, no Rio de Janeiro, Luiz Carlos Prestes, líder do movimento antifascista de 1935, e sua mulher, Olga Benário Prestes, foram encarcerados. De Paris, a mãe do revolucionário encabeçou um movimento de libertação dos presos políticos no Brasil. A iniciativa, bem-sucedida, possibilitou sua comunicação com o filho, por correspondência, e, dois anos depois, a libertação da neta, Anita Leocádia, nascida numa prisão da Alemanha para onde Olga fora deportada.  

Paris, 31 de julho de 1937

Meu querido filho,

O meu mais ardente desejo é que estas linhas te encontrem com saúde. Tenho presente tua boa carta datada de 16 do corrente e que aqui chegou com dez dias de viagem, o que não sei como explicar, porque veio pelo avião. Recebi também a que escreveste à nossa querida Olga.

Lamento […]

No dia 24 de agosto de 1954 o corpo do então presidente Getúlio Vargas foi encontrado em seu quarto, no Palácio do Catete. A ideia do suicídio existia pelo menos desde o dia 13 de agosto, quando escreveu, de próprio punho, a primeira versão de uma carta testamento [veja a Galeria de imagens], encontrada por Hernani Fittipaldi, seu ajudante de ordem. A versão final desse documento, datilografada pelo amigo e secretário José Soares Maciel Filho, entrou para a História do Brasil como registro de um de seus momentos mais dramáticos.

Primeira versão

Rio de Janeiro, agosto de 1954

Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte.

Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia.

A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram […]

Obrigado a viajar para São Paulo a fim de tentar resolver crise política que ameaçava a ordem no Estado, dom Pedro I entregou temporariamente o governo a dona Leopoldina. Dias depois, recebeu a notícia de que Portugal exigia sua volta. Temendo que as tropas portuguesas atacassem o Rio de Janeiro antes do retorno do marido, em 2 de setembro a futura imperatriz presidiu reunião do Conselho de Estado, que deliberou pela independência do Brasil. A carta que se reproduz aqui teria sido lida por dom Pedro no dia 7 de setembro, às margens do Ipiranga, antes do lendário grito “Independência ou morte!”.

Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1822

Pedro,

O Brasil está como um vulcão. Até no paço há revolucionários. Até portugueses revolucionários […].[1] As cortes portuguesas ordenam vossa partida imediatamente; ameaçam-vos e humilham-vos. O Conselho de Estado vos aconselha a ficar. Meu coração de mulher e de esposa prevê desgraças se partirmos agora para Lisboa. Sabemos bem o que tem […]

Capitão da artilharia francesa, Alfred Dreyfus foi réu no caso hoje considerado um dos maiores erros judiciários da História. Acusado de ser o autor de uma carta, remetida ao adido militar alemão em Paris, contendo informações sobre recursos e planos de defesa do exército francês, Dreyfus foi submetido a uma cerimônia de degradação no pátio da Escola Militar, no dia 5 de janeiro de 1895, em Paris, ocasião em que lhe quebraram a espada e lhe arrancaram as insígnias da honra militar. Dois dias depois, Rui Barbosa, que estava em Londres, protegendo-se das arbitrariedades do marechal Floriano, e era colaborador no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, escreveu esta carta, publicada nesse jornal em 3 de fevereiro, tornando-se assim o primeiro defensor do capitão Dreyfus. Em 1898, Émile Zola, convencido da inocência do réu, publicaria no jornal L’Aurore uma carta aberta que ficaria conhecida pelo título de “J’accuse” e em que considera o caso “o monumento mais execrável da infâmia humana”. Depois de batalha judiciária que durou doze anos, e de uma deportação cruel à ilha do Diabo, na Guiana Francesa, Dreyfus teve sua inocência provada e a honra reabilitada.

Londres, 7 de janeiro de 1895

Eis aí um fato de expressão quase trágica, sobre o qual se acaba de exercer distintamente a consciência dos dois povos que a Mancha separa: um, na maneira de resolvê-lo; o outro, na de considerá-lo. Decompostas através dele, como dois feixes diferen­tes de luz coados pelo mesmo prisma, destacam-se em matizes característicos certas qualidades de […]