Após a morte de Tomie Ohtake em fevereiro de 2015, o instituto que leva seu nome, em São Paulo, realizou a exposição “Tomie Ohtake 100-101”, em que foram expostas cerca de trinta telas, pintadas no centésimo primeiro e último ano de vida da artista. Após sua morte, o curador da exposição, Paulo Myiada, voltando no tempo, lhe escreve seis cartas, entre as quais esta, que trata da polêmica “Estrela do mar”, obra instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, onde ficou de 1985 a 1990.

Para São Paulo, 1985

Querida Tomie,

Não sei se você conhece a superstição, mas me diverte quando dizem que nossas orelhas ficam quentes quando falam da gente – a direita, se falam bem, a esquerda, se falam mal. Se for verdade, você provavelmente não está precisando cobrir a cabeça para dormir no frio! Em São Paulo, a exposição organizada […]

Em 2013, a exposição “Amilcar de Castro: repetição e síntese”, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte, apresentou um panorama da produção do artista mineiro, reunindo obras de várias áreas em que ele atuou. Na ocasião, Rodrigo Moura, então um dos curadores do Instituto Inhotim e ex-aluno de Amilcar na Escola Guignard, também em Belo Horizonte, escreveu esta carta ao escultor, que morreu em 2002.

Belo Horizonte, 14 de dezembro de 2013

Amilcar,

Finalmente fui ver tua exposição na Praça da Liberdade. Como deve ter lhe contado o Affonso Ávila, aquilo virou uma procissão de centros culturais, um corredor ou algo assim. Naquele de um banco, fizeram agora uma mostra com as tuas coisas. Eu confesso que custei para encontrar as salas todas, mas quando […]

Em 1965, Hélio Oiticica viu uma espécie de construção improvisada por um mendigo feita de estacas de madeira, cordões e outros materiais. Em um pedaço de juta conseguiu ler a palavra “Parangolé”, com a qual passou a designar as obras que estava desenvolvendo naquele momento. A este bilhete a Jayme Maurício ele anexa dois documentos, inéditos na ocasião, e indispensáveis para a compreensão de sua obra: “Anotações sobre o Parangolé” e “Bases fundamentais para a definição do Parangolé”, divulgados pelo próprio artista em edição mimeografada, por ocasião da exposição Opinião 65, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e considerada um marco na história da arte brasileira.

[Rio de Janeiro], 10 de agosto de 1965

Caro Jayme,

Aí está o material. Para mim a foto preferencial seria a do Miro da Mangueira dançando com a capa (está aqui junto com a capa), talvez porque junte nela a obra e a dança. Vê o que podes fazer por mim – estes dois textos são ineditíssimos e estão sendo impressos para a […]