A perplexidade de Paulo Autran com a reação negativa da plateia à peça Traições, de Harold Pinter, que dirigiu e protagonizou, é tema desta carta que recebeu de um espectador sensível. Traições estreou no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 1983, em curta temporada.

Rio [de Janeiro], 9 de fevereiro de 1983

Meu caro Paulo,

Sei que a carta de um espectador entusiasmado diante da altíssima qualidade do espetáculo Traições não lhe poderá servir de conforto, após a pouca receptividade do público ao texto do Harold Pinter.

Entretanto, em minha longa experiência como professor, ao enfrentar turmas de quarenta, cinquenta alunos, encontrava em cada uma apenas uma […]

Todo o estado de encantamento e emoção trazido pela paixão é plenamente interpretado por Rubem Braga nesta carta/ crônica em que o autor mescla fantasia e realidade em atmosfera onírica. 

[Rio de Janeiro], 5 de abril de 1956[1]

Minha querida,

Recebi sua carta à hora em que ia saindo de casa. Li-a de um só trago, voltei ao quarto para guardá-la e desci – um amigo me esperava lá embaixo. Fomos conversando até a cidade, e gostei quando me despedi dele, porque o […]

Estudante de Direito em São Paulo, curso que, assim como o de Medicina, não concluiria, Olavo Bilac escreve esta carta ao também poeta parnasiano Alberto de Oliveira, de cuja irmã estava apaixonado e noivo. Em estilo arrebatado, e mesmo divertido no exagero da manifestação do sentimentos de amizade, Bilac não terá em Alberto o cunhado que contava ter. A família Oliveira, que inicialmente concordara com seu casamento com Amélia, acaba por recusá-lo, pondo fim à relação que inspirou os versos de “Panóplias”, “Via Láctea” e “Sarças de fogo”. Nenhum dos dois amantes jamais se casou, e, a partir de 1918, ano em que Bilac morreu, Amélia levou rosas vermelhas semanalmente ao túmulo até a morte dela, em 1945. 

São Paulo, 1º de outubro de [18]87

Meu amor,

Foi agora mesmo, lendo os teus adoráveis versos – “A alma e o sol” – na Semana,[1] que me veio a lembrança de ainda uma vez te escrever, pérfido, estranhando o teu silêncio. Por que não me escreves? Que mal te fiz eu?

Já não quero uma carta longa, tão longa […]

Joaquim Nabuco e Eufrásia Leite protagonizaram um dos mais célebres romances do Brasil no século XIX. O relacionamento durou quatorze anos, até 1887, período em que se corresponderam, apesar dos incontáveis rompimentos a que se seguiam doces reconciliações. Poucas são as cartas que restaram desse período. Dois anos depois da separação, Nabuco se casou com Evelina Ribeiro. Eufrásia jamais se casaria.

Dakar [Senegal], bordo do Congo, 31 de dezembro de 1885

Não imagina que tristeza, que saudades e que arrependimento de ter deixado o Brasil. Quando penso que em janeiro poderíamos estar juntos, ao menos poderia ter notícias suas, de sua eleição,[1] saber o que se passa ou o que vai fazer, e não estar inquieta como estou, temendo que lhe aconteça alguma coisa, […]

Do Grand Hotel Saint-Michel, em Paris, Jorge Amado escreve à mulher, Zélia, cartas reveladoras da atividade política que desenvolvia na insegura Europa do pós-guerra, onde se exilara após a cassação do mandato de deputado pelo Partido Comunista Brasileiro, declarado ilegal em 1947. A correspondência mostra ainda o esforço de um homem apaixonado para superar a ausência da companheira de toda a vida.

Paris, 23 de março de 1948

Paris, 23 de março de 1948
Querida minha, minha negra saudosa, meu amor mais lindo do mundo, novamente estou há uma semana sem cartas tuas, sem saber se estás no Rio ou em São Paulo, o correio de ontem trouxe carta da Argentina (de Rodolfo Ghioldi)[1] mas nada do Brasil. Não sei nem de ti, nem de João, nem […]