Em 1876, dom Pedro II, aos 51 anos de idade, fez sua segunda viagem à Europa. Partiu do Brasil em março desse ano, passou pelos Estados Unidos e, um ano depois, já no velho continente, se aproximava de Paris, onde encontraria a condessa de Barral. Ela permaneceria na Europa, enquanto o imperador voltava para o Brasil em setembro de 1877.

[Itália, 15 de março de 1877]

Condessa,

Hoje deixo a Itália sentindo que você não a tivesse percorrido em minha companhia. Felizmente daqui a um mês estarei aí, e se você quiser que de boas conversas teremos! Creia que as saudades crescem todos os dias – o mato custa a romper – e muita falta me têm feito suas cartas que […]

Carta aos amigos de São Paulo

De: Castro Alves Para: Amigos de São Paulo

Apesar dos cuidados que lhe dispensaram os amigos paulistas, Castro Alves precisou viajar ao Rio de Janeiro para se tratar de uma ferida no pé causada por um tiro de espingarda durante uma caçada nos campos do bairro do Brás, em São Paulo. Na capital carioca, foi hóspede do amigo Luiz Cornélio dos Santos, mas, sem sucesso no tratamento, teria o pé amputado em junho de 1869.

Rio de Janeiro, 25 de maio de 1869

Eis-me na corte há quatro dias, eu, pobre in­válido, que não podia chegar até a sala!… Que força, que mola estranha deu vida ao cadáver? Foi Deus. O Deus de Lázaro sustentou-me nesse instante em que a amizade acompanhou-me.

[…][1]

E custou-me bem aquele último abraço a bordo, à tarde, quando o vento […]

Em 11 de novembro de 1868, a espingarda que Castro Alves usava durante uma caçada nos campos do bairro do Brás, em São Paulo, disparou, atingindo-lhe o calcanhar direito. O poeta viajaria ao Rio de Janeiro para se tratar, acolhido pelo amigo Luiz Cornélio dos Santos, a quem pede socorro nesta carta.

[São Paulo, 1º de dezembro de 1868]

Meu caro Luiz,[1]

Estou, há vinte dias, de cama, de um tiro que dei em mim, por acaso. Este desastre caiu-me na pior ocasião. Bem vês que eu não podia escrever, e nem mandar por outro es­crever para minha família isto, e só alguns dias depois é que tive portador seguro que foi […]

Grandes amigos e confidentes, estabeleceu-se entre Armando Freitas Filho e Ana Cristina Cesar uma relação “intensa e produtiva” e de “confiança pessoal e literária”, segundo o poeta. Eles tinham o hábito de trocar cartas como esta, mesmo morando na mesma cidade.

[Rio de Janeiro, 1982]

Armando,

Passei esta noite de sexta-feira escrevendo a continuação da “Aventura na casa atarracada” (história fantástica à moda de Poe),[1] e versificando seu poema “Na beira, com os olhos abertos”, como uma louca a compor quebra-cabeças de mil peças. Não são mil, mas reparo outra vez a insistência de seus effes; de trezentos […]

Casado com a atriz baiana Gessy Gesse, sua sétima mulher, o poeta Vinicius de Moraes viveu em Salvador entre 1973 e 1974. Sua moradia na praia de Itapuã, de onde escreve ao amigo Otto Lara Resende, lhe inspirou o poema “A casa”, mesmo título do livro publicado em 1975.

Salvador, Itapuã, 24 de janeiro de 1973

Otto, meu santinho,

Entreguei à menina o máximo de material que pude. Acho que para uma página dá e sobra, e haverá mesmo embarras de choix.[1] Controle a revisão, por favor, que é para não sair alguma cagada, embora eu saiba que a de vocês é ótima.

Estive no Rio por um dia, […]