Depois de se formar em direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1946, Fernando Sabino viajou para Nova York, onde ficou dois anos como funcionário do escritório comercial do Brasil e do consulado brasileiro. De Nova York, escreve esta carta à sua amiga Clarice Lispector, que morava em Berna, Suíça, acompanhando o marido em sua carreira diplomática.

Nova York, 10 de junho de 1946

canto, esperando, esperando. Clarice Lispector só toma café com leite. Clarice Lispector saiu correndo no vento na chuva, molhou o vestido, perdeu o chapéu. Clarice Lispector sabe rir e chorar…

Escritora brasileira de origem ucraniana, Clarice Lispector estreou na literatura ainda muito jovem, com o premiado romance Perto do coração selvagem (1943). Na busca pela melhor forma de escrever sobre…

Em julho de 1944, Clarice Lispector, recém-casada, viajaria para Nápoles, onde encontraria Maury Gurgel Valente, seu marido, que iniciava a carreira diplomática. Entre rápidas idas e vindas ao Rio de…

Desde abril de 1946, Clarice Lispector e o marido, Maury Gurgel Valente, moravam em Berna, Suíça, onde ele, como diplomata, assumira o cargo de segundo-secretário na embaixada do Brasil. A convite do casal de jornalistas Bluma e Samuel Wainer, os Gurgel Valente passaram o final desse ano em Paris, hóspedes dos amigos, que moravam na capital francesa. De lá, onde Clarice e o marido permaneceram até 4 de fevereiro, ela escreve às irmãs Elisa e Tania.

Paris, janeiro de 1947

…Me escrevam, me escrevam, Clarice mil vezes para vocês. Clarice Lispector. Correspondências. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, pp. 115-116. [1] N.E.: Palavra ilegível. [2] N.S.: Yedda Schmidt, casada com o…

O lançamento do primeiro romance de Clarice Lispector, Perto do coração selvagem, em fins de 1943, deu à estreante a convicção de seu futuro de escritora: sobre o livro, e em curto espaço de tempo, escreveriam os nomes mais importantes da crítica literária brasileira, entre os quais Antonio Candido, que viu na obra “performance da melhor qualidade”. Mas faltou um: Mário de Andrade, cujo silêncio até a data desta carta inquietou a romancista a tal ponto que ela, com graça intrigante, reivindica opinião. Lendo-a agora, tem-se a impressão de que Clarice quase desafia o papa do modernismo, tão segura parece se sentir como escritora.  

Belém, 27 de junho de 1944

…certas palavras duras. Peço-lhe que interprete minha carta como quiser, mas não veja nela falsa humildade. Desejo muito sinceramente que sua saúde esteja boa. Clarice Lispector Meu endereço agora é…