De meados de 1967 a 1969, Otto Lara Resende foi adido cultural na Embaixada do Brasil em Portugal. Em dezembro, pouco depois de chegar a Lisboa, sua mulher, Helena Pinheiro de Lara Resende, descobriu que estava grávida do quarto filho. Na verdade, uma menina, que nasceria no dia 24 de julho de 1968 e receberia o nome de Helena Lara Resende (Heleninha). Nesta carta, Otto dá voz ao bebê.

Lisboa, 22 de novembro de 1967

Desculpe a intimidade, dona Helena, mas…

Mamãe,

Sei perfeitamente os aborrecimentos e os transtornos que já lhe estou dando. Por minha vontade, creia, jamais viria per­turbar ainda mais a sua vida e a do doutor Otto, isto é, do papai. Tenho certeza, porém, de que muito breve teremos estabelecido melhores relações e desde já lhe […]

Admirador do euclidiano e amigo, Drummond lhe escreve este bilhete em agradecimento a três livros que recebera, possivelmente os três lançados no ano anterior: Antologia da obra de Euclides da Cunha, Canudos e inéditos e Obra completa de Euclides da Cunha, para as quais Olímpio de Souza Andrade fez estudos, introdução geral e cronologia, comentários e vocabulário ou apresentações finais.

Rio de Janeiro, 31 de março de 1967

Prezado Olímpio de Souza Andrade,

Senti-me muito honrado por ter recebido de você essa prova de estima e de fraternidade intelectual, que é o oferecimento de seus três volumes consagrados a Euclides da Cunha. Conhecedor, há muito, de sua devoção euclidiana, que não é culto emocional, mas esforço de pesquisa, análise e divulgação da obra, […]

Luís Martins publicara em O Estado de S. Paulo crônica escrita em Paris, na qual revela encantamento com a cantora Suzy Solidor, homenageada na Maison de l’Amérique Latine. Esta carta revela que o texto de Martins despertou ciúmes em sua mulher, a pintora Tarsila do Amaral, que ficara em São Paulo.

São Paulo, 20 de dezembro de 1950

Querido Luís,

Já tinha passado vários dias sem escrever (por muito trabalho) quando recebi, no dia 13, sua carta com a crônica que levei ao Estado. O Julinho [Júlio de Mesquita Neto] vai publicar na página de arte. (Não sei se saiu, vou verificar.) Pois a tal crônica, na qual você falava de “um dos […]

Desde abril de 1946, Clarice Lispector e o marido, Maury Gurgel Valente, moravam em Berna, Suíça, onde ele, como diplomata, assumira o cargo de segundo-secretário na embaixada do Brasil. A convite do casal de jornalistas Bluma e Samuel Wainer, os Gurgel Valente passaram o final desse ano em Paris, hóspedes dos amigos, que moravam na capital francesa. De lá, onde Clarice e o marido permaneceram até 4 de fevereiro, ela escreve às irmãs Elisa e Tania.

Paris, janeiro de 1947

Minhas queridas,

Apesar de não ter escrito tanto tempo, estou sempre pensando em vocês, minhas queridinhas. Não escrevo porque minha vida aqui tem sido mais movimentada do que é possível e eu queria escrever muito, mas só poderia superficialmente. Não sei se estou louca por Paris. É difícil dizer. Com a vida assim, parece que […]

A viagem que Lucio Costa fez à Europa em 1926 era, segundo ele próprio, menos para estudo do que “por motivos sentimentais insolúveis”. Sua descrição da ilha do Maio, nesta carta, impressiona pelos detalhes de beleza geográfica e pela prosa atraente.

Bordo do Bagé, 6 de outubro de 1926

Querida mãe,

Quando embarquei no Bagé corri ao comissário a ver se havia alguma carta para mim. Entretanto de casa nada encontrei, nada recebi; fiquei desapontado. Naturalmen­te não lhes passou pela mente aproveitar esse meio de dar-me notícias – suas, mamãe, de tudo e de todos. Agora só em Paris. Já […]