Em 1831, em meio a forte crise política, dom Pedro I abdicou em favor de Pedro de Alcântara, então com seis anos de idade, filho de seu primeiro casamento com dona Leopoldina. Foi obrigado a deixar o Brasil com a segunda mulher, dona Amélia de Leuchtenberg, e, na madrugada de 7 de abril daquele ano, noite da partida, ela, que estava com 19 anos e amava os enteados, deixou esta carta ao menino e futuro imperador dom Pedro II, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta.

Rio de Janeiro, [abril de 1831]

Meu filho do coração e meu imperador,

Adeus, menino querido, delícias de minha alma, alegria de meus olhos, filho que meu coração tinha adotado. Adeus para sempre.

Quanto és formoso nesse teu repouso! Meus olhos choro­sos não se puderam furtar de te contemplar! A majestade de uma coroa, a debilidade da infância, a inocência dos […]

Perseguido pelo então presidente marechal Floriano Peixoto, que o considerava o mentor intelectual da Revolta da Armada, movimento de oposição ao governo desencadeado no Rio de Janeiro em setembro daquele ano, Rui Barbosa embarca clandestinamente no Madalena, navio que o levaria ao exílio em Buenos Aires. Com duas semanas de viagem, escreve esta carta à mulher, com quem estava casado havia sete anos.

Buenos Aires, bordo do Madalena, 19 de setembro [de 18]93

Minha adorada Maria Augusta,

Decididamente, minha Cota, não se morre de dor, desde que eu não morri ainda. Mas morrerei, ou enlouquecerei, se isto continua, e eu não posso ir reunir-me contigo, ou tu comigo. Não sei, não sei como ainda vivo! Mas esta vida que eu levo é atroz, é desesperadora: mata-me a fogo […]