No dia 8 de março de 1500, Pedro Álvares Cabral partiu de Lisboa com treze naus a caminho das Índias e terminou por desembarcar no Brasil em 22 de abril daquele ano. A mudança na rota descortinou ao mundo terras então desconhecidas. Nesta carta histórica, o escrivão da frota, Pero Vaz de Caminha, descreve os acontecimentos da viagem e a nova terra ao rei de Portugal.

Porto Seguro, 1º de maio de 1500

Senhor,

Posto que o capitão-mor desta vossa frota e os outros capitães escrevam a vossa alteza dando notícia do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar conta disso a vossa alteza da melhor maneira que eu puder, ainda que, para o bem contar e falar, o […]

Grandes amigos e confidentes, estabeleceu-se entre Armando Freitas Filho e Ana Cristina Cesar uma relação “intensa e produtiva” e de “confiança pessoal e literária”, segundo o poeta. Eles tinham o hábito de trocar cartas como esta, mesmo morando na mesma cidade.

[Rio de Janeiro, 1982]

Armando,

Passei esta noite de sexta-feira escrevendo a continuação da “Aventura na casa atarracada” (história fantástica à moda de Poe),[1] e versificando seu poema “Na beira, com os olhos abertos”, como uma louca a compor quebra-cabeças de mil peças. Não são mil, mas reparo outra vez a insistência de seus effes; de trezentos […]

Aos 35 anos, quando soube que estava doente, Oswaldo Cruz fez um croqui para o seu túmulo. O projeto não foi executado. Certo da gravidade da doença, escreveu esta carta testamento.

[Rio de Janeiro], s.d.

Desejo com sinceridade que não se cerque a minha morte dos atavios convencionais com que a sociedade revestiu o ato da nossa retirada do cenário da vida. Pelo respeito que voto ao pensar alheio, não quero capitular de ridículos esses atos: julgo-os para mim completamente dispensáveis e espero que a família, que tanto quero, se […]

Casado com a atriz baiana Gessy Gesse, sua sétima mulher, o poeta Vinicius de Moraes viveu em Salvador entre 1973 e 1974. Sua moradia na praia de Itapuã, de onde escreve ao amigo Otto Lara Resende, lhe inspirou o poema “A casa”, mesmo título do livro publicado em 1975.

Salvador, Itapuã, 24 de janeiro de 1973

Otto, meu santinho,

Entreguei à menina o máximo de material que pude. Acho que para uma página dá e sobra, e haverá mesmo embarras de choix.[1] Controle a revisão, por favor, que é para não sair alguma cagada, embora eu saiba que a de vocês é ótima.

Estive no Rio por um dia, […]

De meados de 1967 a 1969, Otto Lara Resende foi adido cultural na Embaixada do Brasil em Portugal. Em dezembro, pouco depois de chegar a Lisboa, sua mulher, Helena Pinheiro de Lara Resende, descobriu que estava grávida do quarto filho. Na verdade, uma menina, que nasceria no dia 24 de julho de 1968 e receberia o nome de Helena Lara Resende (Heleninha). Nesta carta, Otto dá voz ao bebê.

Lisboa, 22 de novembro de 1967

Desculpe a intimidade, dona Helena, mas…

Mamãe,

Sei perfeitamente os aborrecimentos e os transtornos que já lhe estou dando. Por minha vontade, creia, jamais viria per­turbar ainda mais a sua vida e a do doutor Otto, isto é, do papai. Tenho certeza, porém, de que muito breve teremos estabelecido melhores relações e desde já lhe […]