Enviada quatro dias antes da promulgação da Constituição de 1937 e amplamente divulgada à época, esta carta condena o então Ministro da Justiça, Francisco Campos, por usar sua decantada inteligência na construção jurídica do regime autoritário. A amizade entre os juristas não amenizou as duras palavras de Sobral Pinto, que se destacou como opositor do Estado Novo desde os primeiros momentos.

Rio, 6 de novembro de 1937

Campos,

Com os olhos voltados tão só para os superiores interesses do Brasil, julgo do meu dever escrever-lhe estas palavras nas quais ponho toda a veemência de que sou capaz, e toda a sinceridade de um homem que nada quer e nada aceita, para si, dos que detêm em suas mãos o poder político da […]

Visitantes de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, dificilmente se dão conta de que a praça Odylo Costa Neto, a única do bairro, homenageia um jovem herói, estudante, que, ao ser assaltado, na companhia da namorada, Irene Loewenstein, e sem ter dinheiro ou objeto de valor, ouviu dos bandidos a ordem de correr e deixar a moça. Ao recusar-se a obedecê-los,  recebeu uma bala calibre 22 que o matou poucas horas depois, no hospital. A notícia da morte, dada pelo pai, o jornalista Odylo Costa, Filho, ao padrinho do rapaz, comove pela emoção contida.

Rio [de Janeiro], 10 de março de 1963

Couto

Seu afilhado não existe mais. Escrevo-lhe este bilhete nas vésperas dos seus 65 anos, quando eu e ele contávamos telefonar-lhe com o nosso nome no plural, só para lhe dar essa notícia, impossível de confiar ao telégrafo.

Ele morreu heroicamente, como homem: saltava ontem à noite do bonde com a namorada, eram dez e […]

O choque da notícia da morte do cronista e compositor Antônio Maria, em 15 de outubro de 1964, provocou em Vinicius de Moraes uma tal comoção que ele não pôde esperar mais do que algumas horas  para escrever esta carta de ternura e dor, incluída em Para uma menina com uma flor, de 1966.

Aí está, meu Maria… Acabou. Acabou o seu eterno sofrimento e acabou o meu sofrimento por sua causa. Na madrugada de 15 de outubro em que, em frente aos pinheirais destas montanhas queridas, eu me sento à máquina para lhe dar este até sempre, seu imenso coração, que a vida e a incontinência já haviam […]

Os bastidores da transferência de Cyro dos Anjos, que, por manobras bem-sucedias no Itamaraty, deixava de reger a cadeira de Estudos Brasileiros na Universidade do México para assumir a mesma função em Lisboa ocupam a primeira parte desta carta. Na segunda, o verso drummondiano “a ausência é um estar em mim” ganha força quando o poeta passa a escrever sobre suas saudades depois de assistir à exumação dos ossos da mãe.

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1954

Em primeiro lugar, venha de lá um abraço pelo súbito imprevisto e feliz resultado do affaire Lisboa, que assinala a primeira e modesta vitória de um mineiro sobre a grei nortista, nestes 450 anos de vida brasileira. Só não lhe telegrafei transmitindo a grata notícia porque soube que o Chermont[1] já o fizera. […]

Em visita à filha Clarissa, no Estado americano da Virginia, Erico Verissimo escreve esta carta ao filho, o também escritor Luis Fernando Verissimo, que aqui grava um comentário, em vídeo. Sob o impacto da invasão militar da Tchecoslováquia por tropas da então União Soviética, o autor de O tempo e o vento faz questão de se manifestar em relação à invasão soviética.

McLean, 26 de agosto de 1968

Louie

A invasão da Tchecoslováquia me deixou consternado e indignado ao mesmo tempo. Há dias que ando pensando em fazer alguma coisa e não consigo descobrir o quê. Esbocei dois artigos (“Carta aberta a um comunista” e “A breve primavera de Praga”) mas concluí que estava muito mixed up para poder escrever o que quer […]