Colaborador da revista Clima e fundador de Grupo Universitário de Teatro (GUT) na década de 1940, Decio de Almeida Prado começava aí sua trajetória de homem dedicado ao teatro e à crítica teatral. Estava inteiramente impregnado da arte dramática quando escreveu a Cacilda Becker esta carta em que observa o momento de modernização do teatro e destaca a importância da personalidade do ator, que, para ele, se sobrepõe à técnica, por melhor que seja.

[São Paulo, janeiro de 1949]

Você pertence a uma geração teatral mais feliz que as anteriores. Em geral, o destino de cada um de nós está condicionado a uma série de circunstâncias externas. Mas, no teatro, arte escrava de um número tão grande de fatores, inclusive econômicos, arte tão dependente do grande público, arte coletiva poderíamos dizer, isso é ainda […]

Dois mitos da música popular brasileira, Rita Lee e Elis Regina, que aqui se assina Elizabeth Maria, foram vizinhas no bairro paulistano Serra da Cantareira, onde desenvolveram fortes laços de afeto. “Ah se eu tivesse um nono daquela voz”, exclamava a roqueira paulista a respeito do vozeirão da gaúcha – conta Lee na autobiografia.

[1978]

Rita querida,

Foi bom ter te conhecido mais um pouco. Obrigada por tudo.

Conversei um tanto com Henfil a teu respeito. E a respeito da música que você fez pra Ubaldo.[1] Ele ficou surpreso, primeiro. Feliz, depois. E puto pela impossibilidade de ela estar sendo cantada.

Pede que você tente mais uma vez. […]

Amigos, Mário de Andrade e Moacir Werneck de Castro conviveram intensamente entre julho de 1938 e fins de fevereiro de 1941, período em que o primeiro morou no Rio de Janeiro, sofrendo de inadaptação e solidão. De volta a São Paulo, cartas, como esta, de certa maneira substituíam as longas conversas na Taberna da Glória, quase em frente ao apartamento que Mário alugava na rua Santo Amaro, 5, no mesmo bairro da Glória.

São Paulo, Reis [6 de janeiro] de 1942

Moacir,

Deixei de responder mais cedo à sua última carta, muito delibe­radamente. Desta vez o “missivista exemplar” estava carecendo de não escrever a certos amigos mais certos. Se escrevesse, mentia. Vo­cês já estão arquissabidos de que eu estava no fim de um período de desequilíbrio, e eu com vergonha de feitas as promessas e as […]

Estudante de Direito em São Paulo, curso que, assim como o de Medicina, não concluiria, Olavo Bilac escreve esta carta ao também poeta parnasiano Alberto de Oliveira, de cuja irmã estava apaixonado e noivo. Em estilo arrebatado, e mesmo divertido no exagero da manifestação do sentimentos de amizade, Bilac não terá em Alberto o cunhado que contava ter. A família Oliveira, que inicialmente concordara com seu casamento com Amélia, acaba por recusá-lo, pondo fim à relação que inspirou os versos de “Panóplias”, “Via Láctea” e “Sarças de fogo”. Nenhum dos dois amantes jamais se casou, e, a partir de 1918, ano em que Bilac morreu, Amélia levou rosas vermelhas semanalmente ao túmulo até a morte dela, em 1945. 

São Paulo, 1º de outubro de [18]87

Meu amor,

Foi agora mesmo, lendo os teus adoráveis versos – “A alma e o sol” – na Semana,[1] que me veio a lembrança de ainda uma vez te escrever, pérfido, estranhando o teu silêncio. Por que não me escreves? Que mal te fiz eu?

Já não quero uma carta longa, tão longa […]

Durante a revolução constitucionalista de 1932, contra o governo do então presidente Getúlio Vargas, o jornalista Júlio de Mesquita Filho lutou no front, de onde, de 9 de julho a 2 de outubro, se correspondia com a mulher, Marina. Apaixonada, ela enfrenta com coragem e bom humor a ausência do marido, sem deixar de se revoltar pela falta que ele lhe faz.

São Paulo, 14 de julho de 1932

Meu Julinho,

Depois da conversa com você, encontrei na porta da estação Marcos Ribeiro dos Santos, que amavel­mente se ofereceu para qualquer coisa que eu precisasse lhe mandar. Aproveitei o oferecimento no ar e já vai aqui esta mal traçada missiva e roupas, escova de dentes, pasta etc., tudo de que você precisa por aí. […]