Na década de 1960, a dupla Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade se articulava para organizar e publicar uma “certa antologia” que incluiria um texto de Antônio Maria. Apesar de o projeto não ter avançado, o cronista pernambucano, emocionado, se dirige ao poeta itabirano nesta carta-crônica.

Embora não seja de me alegrar à toa, eis-me contentíssimo, com o telefonema recebido esta manhã. Do outro lado da linha, Carlos Drummond de Andrade a me pedir uma crônica sobre o Rio, para certa Antologia, que ele e Manuel Bandeira estão preparando. Claro, meu exultamento não tinha nada a ver com a […]

Em 1969, o ex-jogador, cronista esportivo e militante político João Saldanha foi convidado para ser treinador da Seleção Brasileira. A campanha nas eliminatórias para a Copa não poderia ter sido melhor: seis jogos e seis vitórias. Entretanto, a presença de João Sem Medo, como ficou conhecido, em cargo tão importante não interessava ao general Emílio Garrastazu Médici, terceiro comandante da ditadura militar. Saldanha relatou episódios que o levariam a deixar a função em uma carta aberta publicada na revista Placar, da qual reproduzimos alguns trechos.

[Rio de Janeiro], 27 de março de 1970

Um dia o dr. Antônio do Passo[1] apareceu na minha casa e me convidou para ser treinador da Seleção Brasileira. Não me falou em contrato, em dinheiro, em nada. Só perguntou se eu queria ser o treinador da Seleção. Eu disse a ele:

– Isso […]

Durante os anos 1930, os principais artistas brasileiros voltaram seus olhos para as injustiças sociais do país. A amizade entre Graciliano Ramos e Candido Portinari, por exemplo, foi marcada pelo tema, numa parceria intelectual refletida em robusta correspondência epistolar. Na carta a seguir, o autor de “Vidas secas” (1938) propõe uma reflexão sobre o papel da dor no fazer artístico. A obra de Graciliano Ramos estará presente na próxima edição do Clube de Leitura do Instituto Moreira Salles, que começa no mês de julho próximo.

Rio, 18 de Fevereiro de 1946

Do site graciliano.com.br[1]

Caríssimo Portinari:

A sua carta chegou muito atrasada, e receio que esta resposta já não o ache fixando na tela a nossa pobre gente da roça. Não há trabalho mais digno, penso eu. Dizem que somos pessimistas e exibimos deformações; contudo as deformações e miséria existem fora da […]

Sua mãe, Clarice

De: Clarice Lispector Para: Pedro Gurgel Valente

Dois anos antes de morrer, Clarice Lispector escreve uma carta afetuosa ao filho mais velho, Pedro Gurgel Valente, sobre o bem-estar que sentia ao pintar. Aqui, reúnem-se duas facetas de Clarice: a maternidade e o fascínio pelas artes plásticas. Dentre os vinte quadros pintados pela escritora, dois fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles e estarão, em breve, na exposição dedicada a Clarice no ano de seu centenário.

Rio, 25 de julho de 1975

Pedro, meu querido filho, como vai?

Lembre-se ainda que eu às vezes pintava quadros, e você também? Pois agora comprei tintas de acrílico, pincéis e telas – é uma libertação pintar. Liberta mais do que escrever.

 

            Sua mãe


 

Neste vídeo de 2014, Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice, […]

A primeira viagem de Mário de Andrade ao Rio de Janeiro foi no Carnaval de 1923. Na cidade, ele aproveitaria apenas dois dias, se recolhendo, depois, na tranquila Petrópolis, onde combinara de encontrar Manuel Bandeira. Se, nos primeiros dez minutos, a festa de Momo causaria um “choque terrível” ao poeta paulista, logo esqueceria todos os compromissos firmados tanto com parentes quanto com o próprio Bandeira, e Mário se refestelaria na folia durante todos os dias. A “aventura curiosíssima” na cidade foi registrada em verso no poema “Carnaval carioca”, publicado em 1927.

[São Paulo, fevereiro de 1923]

Querido Manuel,

Não me condenes antes que me explique.

Depois perdoarás.

Foi assim. Desde que cheguei ao Rio disse aos amigos: dois dias de carnaval serão meus. Quero estar livre e só. Para gozar e observar. Na segunda-feira, passarei o dia com Manuel, em Petrópolis.  Voltarei à noite para ver […]