Paulo Mendes Campos escreveu no jornal Diário Carioca de 1946 a 1961, inicialmente na coluna “Semana Literária” e depois na “Primeiro Plano”, na qual publicou esta carta de Newton Freitas em 10 de julho de 1955. A reprodução é precedida da nota: “Por intermédio desta seção, o sr. Newton Freitas envia ao marechal Rondon a seguinte carta, datada de Londres”.

Ilustre mare­chal,

Desde a mais tenra infância, des­cansei minhas in­quietudes por sa­ber da existência de um organismo criado por vossa sabe­doria, chamado Serviço de Proteção aos Índios. Quando ainda muito jovem me via perdido sobre o convés de um naviozinho – Gurupy − em águas e terras baixas do Amazonas, pensava: se esta viagem não […]

Joaquim Nabuco defendia o ingresso de Artur Jaceguai, herói da Guerra do Paraguai, na Academia Brasileira de Letras. Jaceguai, no entanto, relutava em se candidatar por não se considerar um homem de letras. Em 1907, terminou por entrar para a Casa de Machado de Assis com um discurso famoso, em que não fazia referência ao antecessor, Teixeira de Melo, autor de Sombras e sonhos, de 1858, poeta da geração romântica de Casimiro de Abreu e Luís Delfino.

Londres, 8 de outubro de 1904

Meu caro Machado,

Há tempos recebi a sua boa carta sobre a Sentença, carta verdadeiramente primorosa e uma das que mais vezes hei de reler, quando tiver tempo para voltar ao passado e viver a vida das recordações. Por enquanto sou um escravo da atualidade que passa, e cada dia a tarefa que ela me […]

Capitão da artilharia francesa, Alfred Dreyfus foi réu no caso hoje considerado um dos maiores erros judiciários da História. Acusado de ser o autor de uma carta, remetida ao adido militar alemão em Paris, contendo informações sobre recursos e planos de defesa do exército francês, Dreyfus foi submetido a uma cerimônia de degradação no pátio da Escola Militar, no dia 5 de janeiro de 1895, em Paris, ocasião em que lhe quebraram a espada e lhe arrancaram as insígnias da honra militar. Dois dias depois, Rui Barbosa, que estava em Londres, protegendo-se das arbitrariedades do marechal Floriano, e era colaborador no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, escreveu esta carta, publicada nesse jornal em 3 de fevereiro, tornando-se assim o primeiro defensor do capitão Dreyfus. Em 1898, Émile Zola, convencido da inocência do réu, publicaria no jornal L’Aurore uma carta aberta que ficaria conhecida pelo título de “J’accuse” e em que considera o caso “o monumento mais execrável da infâmia humana”. Depois de batalha judiciária que durou doze anos, e de uma deportação cruel à ilha do Diabo, na Guiana Francesa, Dreyfus teve sua inocência provada e a honra reabilitada.

Londres, 7 de janeiro de 1895

Eis aí um fato de expressão quase trágica, sobre o qual se acaba de exercer distintamente a consciência dos dois povos que a Mancha separa: um, na maneira de resolvê-lo; o outro, na de considerá-lo. Decompostas através dele, como dois feixes diferen­tes de luz coados pelo mesmo prisma, destacam-se em matizes característicos certas qualidades de […]