Sua mãe, Clarice

De: Clarice Lispector Para: Pedro Gurgel Valente

Dois anos antes de morrer, Clarice Lispector escreve uma carta afetuosa ao filho mais velho, Pedro Gurgel Valente, sobre o bem-estar que sentia ao pintar. Aqui, reúnem-se duas facetas de Clarice: a maternidade e o fascínio pelas artes plásticas. Dentre os vinte quadros pintados pela escritora, dois fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles e estarão, em breve, na exposição dedicada a Clarice no ano de seu centenário.

Rio, 25 de julho de 1975

Pedro, meu querido filho, como vai?

Lembre-se ainda que eu às vezes pintava quadros, e você também? Pois agora comprei tintas de acrílico, pincéis e telas – é uma libertação pintar. Liberta mais do que escrever.

 

            Sua mãe


 

Neste vídeo de 2014, Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice, […]

Entre 1975 e 1977, Lygia Fagundes Telles iniciou um movimento para criar o Museu da Literatura Brasileira, uma espécie de irmão gêmeo paulista do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, aberto por Plínio Doyle em 1972 na Fundação Casa de Rui Barbosa. Segundo a autora, o Museu da Literatura Brasileira, com o apoio do Centro Federal de Cultura, seria um “centro de estudos e pesquisas grande o bastante para ser realmente representativo da nossa literatura”. Nesta carta ao amigo Erico Verissimo, Lygia convoca o escritor gaúcho a doar fotografias e manuscritos e a divulgar a iniciativa. Com ajuda de José Geraldo Nogueira Moutinho, foram reunidos em torno de 230 itens, mas o Museu não se tornou realidade e o material coletado, de pouca ou nenhuma divulgação até agora, está sob a guarda do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).

[São Paulo], 12 de setembro de 1975

Erico, meu querido:

Ainda no belíssimo cartão que você me deu aqui estou para cobrar-lhe o material para nosso Museu da Literatura Brasileira: fotos (antigas, modernas, você com Mafalda, com os filhos, com os amigos) textos, manuscritos, caricaturas, cartas que escritores famosos lhe escreveram – enfim, todas as […]

Um dos maiores interlocutores de Augusto Boal quando o criador do Teatro do Oprimido esteve exilado, em Lisboa, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), Chico Buarque certa vez lhe mandou notícias por meio da canção Meu caro amigo, gravada em fita K7 e enviada além-mar. Esta versão, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta,[1] contém trechos excluídos na versão final. O fato só seria revelado publicamente em 2016, quando a equipe do IMS entrevistou o compositor, que se surpreendeu, ele mesmo, com os versos.

Rio [de Janeiro], 20 de julho [de 1975]

Caro Boal,

Você é um sacana. Peguei o seu Milagre no Brasil[2] no fim da tarde e é evidente que não consegui dormir. Terminei a leitura de manhã e perdi o dia. Mas ganhei muito mais. Que porrada. Não sei se este é o famigerado que eu trouxe para o Ênio [Silveira], e […]

Admirador de Olímpio de Souza Andrade, Drummond lhe escreve este bilhete em agradecimento a livros que recebera.

Rio [de Janeiro], 31 [de] agosto [de] 1975

Meu caro, grande e modesto Olímpio de Souza Andrade,

Nem sei o que mais agradecer a você – se a dádiva das edições de Contrastes e confrontos[1] ou as palavras que a acompanharam. Restaria ain­da por agradecer esse serviço que você presta à memória de Euclides da Cunha, e que importa em dívida […]