Um dos maiores interlocutores de Augusto Boal quando o criador do Teatro do Oprimido esteve exilado, em Lisboa, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), Chico Buarque certa vez lhe mandou notícias por meio da canção Meu caro amigo, gravada em fita K7 e enviada além-mar. Esta versão, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta,[1] contém trechos excluídos na versão final. O fato só seria revelado publicamente em 2016, quando a equipe do IMS entrevistou o compositor, que se surpreendeu, ele mesmo, com os versos.

Rio [de Janeiro], 20 de julho [de 1975]

Caro Boal,

Você é um sacana. Peguei o seu Milagre no Brasil[2] no fim da tarde e é evidente que não consegui dormir. Terminei a leitura de manhã e perdi o dia. Mas ganhei muito mais. Que porrada. Não sei se este é o famigerado que eu trouxe para o Ênio [Silveira], e […]

Admirador de Olímpio de Souza Andrade, Drummond lhe escreve este bilhete em agradecimento a livros que recebera.

Rio [de Janeiro], 31 [de] agosto [de] 1975

Meu caro, grande e modesto Olímpio de Souza Andrade,

Nem sei o que mais agradecer a você – se a dádiva das edições de Contrastes e confrontos[1] ou as palavras que a acompanharam. Restaria ain­da por agradecer esse serviço que você presta à memória de Euclides da Cunha, e que importa em dívida […]