A indignação de Clarice Lispector contra o conceito de estudantes “excedentes”, durante o governo do general Costa e Silva (1967-1969), levou-a a escrever esta carta, tão lúcida quanto desafiadora, ao ministro da Educação, Tarso Dutra. Efeito ou não desta carta, em abril de 1969, o ministro assinaria decreto autorizando o aproveitamento de 3.522 “excedentes”.

[Rio de Janeiro], 17 de fevereiro de 1968

Em primeiro lugar queríamos saber se as verbas destina­das para a educação são distribuídas pelo senhor. Se não, esta carta deveria se dirigir ao presidente da República. A este não me dirijo por uma espécie de pudor, enquanto sin­to-me com mais direito de falar com o ministro da Educação por já ter sido estudante.

O […]

Em visita à filha Clarissa, no Estado americano da Virginia, Erico Verissimo escreve esta carta ao filho, o também escritor Luis Fernando Verissimo, que aqui grava um comentário, em vídeo. Sob o impacto da invasão militar da Tchecoslováquia por tropas da então União Soviética, o autor de O tempo e o vento faz questão de se manifestar em relação à invasão soviética.

McLean, 26 de agosto de 1968

Louie

A invasão da Tchecoslováquia me deixou consternado e indignado ao mesmo tempo. Há dias que ando pensando em fazer alguma coisa e não consigo descobrir o quê. Esbocei dois artigos (“Carta aberta a um comunista” e “A breve primavera de Praga”) mas concluí que estava muito mixed up para poder escrever o que quer […]

Pedro Nava era amigo de Manuel Bandeira e médico que cuidou de Fréddy Blank, a mulher que o poeta chamou de “toda a afeição de uma vida”, embora não tenha com ela dividido o mesmo teto. Madame Blank, como era chamada, deixou duas filhas de seu casamento com Carlos Blank: Joanita e Guita. À primeira e a seu marido, Pietr, Nava escreve esta carta contando os detalhes da morte de Manuel Bandeira, ocorrida em 13 de outubro de 1968.

Rio [de Janeiro], 19 de outubro de 1968

Queridos amigos Pietr e Joanita,

Hoje foi a missa de sétimo dia por alma do nos­so bardo, rezada na Candelária. Lá estavam todos os velhos amigos: Graciema, Rodrigo [Melo Franco de Andrade], Prudente [de Morais, Neto], [Gustavo] Capanema, Carlos Drummond, [Jorge] Laclette, Rachel [de Queiroz], Chico Barbosa, Nazareth [Costa], Odilo [Costa Filho] e Di Cavalcanti […]

Na histórica edição do III Festival Internacional da Canção, realizado em 29 de setembro de 1968, a canção favorita do público era Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré. A vencedora, no entanto, foi Sabiá, que tem letra de Chico Buarque e música de Tom Jobim. Como Chico estava em Veneza, Tom recebeu sozinho a vaia no final da fase brasileira, e em seguida telegrafou ao parceiro reivindicando sua presença. Chico atendeu o pedido e recebeu, ao lado de Tom, a vaia na grande final da fase internacional.

Rio de Janeiro, 5 de outubro de 1968

Venha urgente. Presença imprescindível. Temos que estar juntos. Preciso de você.

Tom Jobim

Nota: Telegrama que o Tom me mandou quando tomou (sozinho) a vaia do Sabiá

Achados. Organização de Caique Botkay. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002, p. 51.