A convicção de Lotta de Macedo Soares a respeito de um parque público que possibilitasse lazer ao povo levou-a a idealizar o Parque do Flamengo, cujo projeto arquitetônico e urbanístico é de autoria de Affonso Eduardo Reidy. Tomada de entusiasmo especialíssimo, e não satisfeita com a simples conclusão da obra, queria garantir-lhe futuro: passou a lutar por uma Fundação capaz de manter o Parque. Esta carta deixa claro o empenho com que Lotta batalhava pela preservação, além de mostrar sua visão de futuro. Escreveu na véspera do dia que ficou estabelecido como a data oficial de inauguração.

Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, 16 de outubro de 1965

Rachel muito querida,

Os argumentos para a “Fundação do Parque do Flamengo” são poucos, mas creio que decisivos e imprescindíveis.

A minha intenção quando comecei a obra era de obter do Rodrigo M. Franco[1] o tombamento, o que já foi feito por unanimidade apesar do Conselho ter vários inimigos do Carlos,[2] […]

Em 1965, Hélio Oiticica viu uma espécie de construção improvisada por um mendigo feita de estacas de madeira, cordões e outros materiais. Em um pedaço de juta conseguiu ler a palavra “Parangolé”, com a qual passou a designar as obras que estava desenvolvendo naquele momento. A este bilhete a Jayme Maurício ele anexa dois documentos, inéditos na ocasião, e indispensáveis para a compreensão de sua obra: “Anotações sobre o Parangolé” e “Bases fundamentais para a definição do Parangolé”, divulgados pelo próprio artista em edição mimeografada, por ocasião da exposição Opinião 65, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e considerada um marco na história da arte brasileira.

[Rio de Janeiro], 10 de agosto de 1965

Caro Jayme,

Aí está o material. Para mim a foto preferencial seria a do Miro da Mangueira dançando com a capa (está aqui junto com a capa), talvez porque junte nela a obra e a dança. Vê o que podes fazer por mim – estes dois textos são ineditíssimos e estão sendo impressos para a […]