O choque da notícia da morte do cronista e compositor Antônio Maria, em 15 de outubro de 1964, provocou em Vinicius de Moraes uma tal comoção que ele não pôde esperar mais do que algumas horas  para escrever esta carta de ternura e dor, incluída em Para uma menina com uma flor, de 1966.

Aí está, meu Maria… Acabou. Acabou o seu eterno sofrimento e acabou o meu sofrimento por sua causa. Na madrugada de 15 de outubro em que, em frente aos pinheirais destas montanhas queridas, eu me sento à máquina para lhe dar este até sempre, seu imenso coração, que a vida e a incontinência já haviam […]

A atuação de Darcy Ribeiro, ao lado de Anísio Teixeira, nos rumos da educação no Brasil não os deixou impunes durante a ditadura militar. Alguns meses depois do golpe, Darcy, ainda muito marcado pela sensação de fracasso de que foi tomada toda a esquerda, e ainda incerto em relação aos desdobramentos da situação política, compartilha sua apreensão com o amigo. O momento não lhe permitia pensar em um sistema que, na verdade, duraria 21 anos.

[Montevidéu], 11 de novembro de 1964

Meu querido mestre Anísio,

Só agora ouso escrever-lhe pelo temor que tinha de ainda mais comprometê-lo. Uma das coisas que mais me doeu de tudo o que passou foi ver repetir-se, pela segunda vez, sobre sua cabeça, a onda de despotismo. E, também, o pouco que conversávamos nos últimos meses em que eu vivia naquela […]

Grande foi a tarefa de Jacob do Bandolim ao gravar a histórica suíte Retratos, com regência de Radamés Gnattali, autor da composição a ele, Jacob, dedicada e comentada por Bia Paes Leme na Rádio Batuta, do IMS. Toda a gratidão e devoção do bandolinista homenageado ressaltam nesta carta ao maestro.

S.l., 23 de outubro de 1964

Meu caro Radamés,

Antes de Retratos,[1] eu vivia reclamando: “É pre­ciso ensaiar…”. E a coisa ficava por aí: ensaios e mais ensaios.

Hoje minha cantilena é outra: “Mais do que ensaiar, é necessário estudar!”. E estou estudando. Meus rapazes também (o pandeirista já não fala em paradas: “Seu Jacob! O senhor aí quer […]

Entre a solidão no momento de deixar Paris, onde assumira em 1963 o posto diplomático de delegado do Brasil junto à UNESCO, e os planos para sua chegada ao Brasil, Vinicius de Moraes escreve a Tom Jobim sobre o estado de espírito que o deixa inquieto.

Porto do Havre [França], 7 de setembro de 1964

Tomzinho querido,

Estou aqui num quarto de hotel que dá para uma praça que dá para toda a solidão do mundo. São dez horas da noite e não se vê viv’alma. Meu navio só sai amanhã à tarde e é impossível alguém estar mais tris­te do que eu. E, como sempre nestas horas, escrevo para […]

Regente e ex-diretor do Teatro Municipal, Francisco Mignone, ou Chico Bororó, como assinava suas composições ligadas à música popular, já era casado com a concertista Maria Josephina quando precisou viajar ao Canadá, a trabalho. De lá, enviou esta carta apaixonada à mulher – para ele, uma forma de “zelar por esse nosso amor grande”.

Montreal, 30 de abril de 1964

Minha cada vez mais querida Jô,

Se você soubesse ou pudesse imaginar ou longe supor do como e quanto eu fico entristecido para comigo mesmo quando, sem o querer, digo coisas que lhe dão pesar e tristeza, você de imediato perdoaria a este “seu Franz”. – O meu amor por você é tão grande, tão […]