Neste notável bilhete, o poeta Carlos Drummond de Andrade, colaborador assíduo do “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo, dá ao então editor Decio de Almeida Prado a liberdade de fazer uma alteração em seu poema “Os materiais da vida”. Os cuidados de Drummond com o emprego da palavra “coitos” nesse poema, e do verbo “copular” em outro, foram estudados por Mariana Quadros em “Cartas de estimação de Carlos Drummond de Andrade”. A palavra seria mantida na versão publicada em A vida passada a limpo (1959).

Rio [de Janeiro], 22 de setembro de 1959

Meu caro Decio de Almeida Prado,

Você encontrará junto dois poemas que os leitores do seu suplemento não poderão achar excessivamente compridos. No segundo, a palavra coitos, se porventura parecer escandalosa em jornal, poderá ser substituída por beijos, fica a seu critério. E daqui lhe manda um abraço afetuoso, com a estima de sempre, o

[…]

Entre 1957 e 1959, Otto Lara Resende serviu como adido cultural na embaixada do Brasil em Bruxelas. Durante a temporada belga (além da lisboeta, nos anos 1960, pelo mesmo motivo), reclamava da falta de resposta dos amigos Hélio Pellegrino, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. Nesta carta/crônica publicada na revista Manchete, o último se dirige ao amigo.

Meu caro Otto,

Sei que você está de malas prontas, depois de dois anos e meio na Europa, para retornar ao Brasil, e assim eu não poderia deixar de adver­ti-lo nesta carta. As coisas aqui em nosso país mudaram muito e de repente; o fito desta é poupar-lhe um cho­que que até poderia desandar em […]