Se todas as cartas de amor são ridículas – e não à toa o disse o maior poeta português do século XX: “Nininho” foi um dos muitos apelidos assumidos por Fernando Pessoa nas cartas endereçadas à jovem Ofélia, seu “Bébézinho” – algumas são tão ridiculamente belas que nos comovem pela força do seu discurso amoroso […]

Eu não os conhecia, mas agora vocês fazem parte de mim. Fico pensando em vocês, em seus conhecidos que também foram atingidos, e isso dói desde que vocês se foram.
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Em julho de 1944, Clarice Lispector, recém-casada, viajaria para Nápoles, onde encontraria Maury Gurgel Valente, seu marido, que iniciava a carreira diplomática.

Entre rápidas idas e vindas ao Rio de Janeiro, Clarice permaneceria no exterior por mais de quinze anos. De Nápoles partiria para Berna, Torquay, Washington, não sem antes passar por Florença, Paris e […]

Na edição brasileira da correspondência amorosa de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz, publicada integralmente em 2013, o crítico português Eduardo Lourenço inicia o prefácio da seguinte maneira: “Para os admiradores incondicionais de Pessoa, a leitura da sua correspondência com a predestinada jovem com o nome fatídico de Ofélia não é um texto como qualquer outro […]

“Odeio as cartas literárias, cuidadosamente preparadas, copiadas e recopiadas; eu me sento diante da máquina e deixo correr o vasto rio dos pensamentos e dos afetos”, escreveu Julio Cortázar em 1942, quando tinha 28 anos e ainda era só o projeto de um escritor.

A mudança para Paris, no começo da década de 1950, faria […]