Há duas maneiras de contemplar a obra do escritor americano Philip K. Dick (1928 – 1982): a primeira, absolutamente válida, envolve admirar a sua portentosa imaginação, capaz de sonhar com outras realidades muito diferentes das nossas. Foi esse K. Dick que descobri ainda na adolescência, nas edições azul-bebê que dominavam os sebos no litoral gaúcho […]

Como acontece com todo pintor, a cada quadro o colombiano Fernando Botero, nascido em 1932, tem que lidar com um dos fundamentos de sua prática: a cor. Como é a composição cromática em A carta, de 1976? Para responder, precisamos primeiro identificar quais as cores presentes na pintura para, em seguida, observarmos como são distribuídas […]

“Não há carta de rompimento que não seja ridícula”, escreveu o escritor argentino Ricardo Piglia em seu Diários de Emílio Renzi, deixando sem saída os que acreditavam só se expor ao risível em situação inversa, para lembrar Fernando Pessoa no famosíssimo verso: “Todas as cartas de amor são ridículas”.

A afirmação de Piglia foi feita […]

Nos últimos anos, os estudos literários brasileiros têm deparado com um campo de pesquisa de grande abrangência – a epistolografia.  A bem da verdade, a crítica literária brasileira sempre teve dificuldades com a chamada “paraliteratura”, isto é, toda sorte de escritos não ficcionais,  de cunho autobiográfico tais como cartas, diários, memórias, agendas e outros textos […]