Graça Aranha rompe com a Academia

De: Graça Aranha Para: Academia Brasileira de Letras

Na sua condição de imortal, Graça Aranha proferiu, em 19 de junho de 1924, na Academia Brasileira de Letras, a conferência “O espírito moderno”, sobre o desejo de renovação das letras brasileiras. Achava que a Academia constrangia a livre inspiração e tolhia o jovem talento, ideia que provocou cisão entre os acadêmicos. Quatro meses depois, desligava-se da Casa de Machado de Assis por meio desta carta.

Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1924

…alta con­sideração do seu admirador e amigo Graça Aranha O Modernismo na Academia: testemunhos e documentos. Organização de Josué Montello. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1994, pp. 135-136….

A paixão de Graça Aranha por Nazaré Prado, sua companheira nos últimos anos de vida, inspirou as cerca de três mil cartas que ele lhe endereçou, dentre as quais a que se reproduz aqui. Parte dessa correspondência foi reunida por ela em Cartas de amor (1935), que permanece inédito. Graça Aranha foi casado com Maria Genoveva, a Iaiá, filha do conselheiro José Bento de Araújo, presidente da província do Rio de Janeiro entre 1888 e 1889.

Haia, 2 de janeiro de 1914
Sexta-feira, 6 horas

Minha doce Petite Chose adorée, alma de minha alma, meus formosos olhos de saudade! meu Tudo, oh!, como eu te tomaria nos meus braços apaixonados e te beijaria e na pos­se suprema realizaríamos o profundo e eterno desejo dos nos­sos seres imortalmente amantes!

Esta separação está sendo tão dura, hélas!, e não há con­solo possível […]